A Allianz Global Investors (AllianzGI) anunciou o primeiro fechamento do Allianz Credit Emerging Markets (ACE), nova estratégia de financiamento climático voltada para mercados emergentes, com US$ 690 milhões já comprometidos. O fundo tem como meta alcançar US$ 1 bilhão até o fechamento final e foi estruturado para impulsionar investimentos privados alinhados ao Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
A iniciativa adota um modelo de blended finance, ou financiamento híbrido, que combina capital público ou filantrópico com recursos privados dentro de uma mesma estrutura de investimento. Esse formato permite direcionar capital para projetos com maior percepção de risco, como tecnologias voltadas à mitigação das mudanças climáticas, ampliando o alcance do financiamento climático em regiões que tradicionalmente enfrentam dificuldades de acesso a investimentos de longo prazo.
De acordo com a AllianzGI, Instituições Financeiras de Desenvolvimento e Bancos Multilaterais de Desenvolvimento participam da estratégia fornecendo capital júnior, que funciona como uma proteção de primeira perda. Essa estrutura contribui para reduzir a volatilidade e melhorar o perfil de risco-retorno dos investimentos, possibilitando que investidores institucionais e profissionais assumam posições seniores no fundo.
Para Ludovic Subran, Chief Investment Officer da Allianz, o primeiro fechamento do ACE representa um marco relevante na mobilização de capital privado para desafios globais urgentes relacionados à sustentabilidade. Segundo ele, os mercados emergentes possuem um potencial significativo tanto para avanços climáticos quanto para a geração de valor no longo prazo, e a nova estratégia demonstra como uma estrutura financeira bem desenhada pode destravar esse potencial em larga escala.
A estratégia ACE irá investir em uma carteira diversificada de instrumentos de dívida privada em setores de baixo carbono. Entre os principais focos estão energia limpa, agricultura sustentável, infraestrutura sustentável, instituições financeiras e determinadas atividades industriais com menor impacto ambiental. O fundo terá atuação global, com foco em mercados emergentes da África, América Latina e Caribe, além da região da Ásia-Pacífico.
Edouard Jozan, Head de Private Markets da AllianzGI, destacou que o enfrentamento das mudanças climáticas não pode se limitar aos investimentos realizados em países desenvolvidos. Para ele, o lançamento do ACE representa um passo importante na mobilização de capital institucional para mercados emergentes, reforçando a colaboração entre os setores público e privado para atender prioridades globais de desenvolvimento, incluindo a agenda climática.
No primeiro fechamento do fundo, os investidores âncora incluem a Allianz e o fundo de pensão suíço GastroSocial Pensionskasse. Já na tranche júnior da estrutura participam instituições como Global Affairs, British International Investment e o Inter-American Development Bank Invest. A AllianzGI avalia que a estratégia reforça o papel do setor financeiro na agenda ESG, ao combinar mitigação de riscos, escala de capital e impacto ambiental positivo.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.