A China anunciou a publicação do Catálogo de Projetos Endossados de Finanças Verdes, um novo sistema de categorização que define quais atividades econômicas poderão receber financiamento por meio de produtos financeiros verdes.
O documento foi lançado pelo Banco Popular da China (PBOC), pela Administração Nacional de Regulação Financeira e pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, e entrará em vigor em 1º de outubro de 2025. A medida unifica os diferentes padrões existentes no país para empréstimos e títulos verdes, criando um sistema único para todos os produtos financeiros do setor (exceto ações).
Objetivos da nova taxonomia verde
Segundo o PBOC, o catálogo busca aumentar a liquidez do mercado de finanças verdes, melhorar a gestão de ativos sustentáveis e reduzir o custo de identificação de projetos elegíveis.
A criação dessa taxonomia segue uma tendência global: União Europeia, Singapura, Canadá, Índia, Austrália e Hong Kong já possuem ou estão desenvolvendo suas próprias classificações. O Reino Unido, no entanto, anunciou recentemente que não avançará com o seu plano de taxonomia verde.
Ampliação de categorias e foco na descarbonização industrial
O novo catálogo expande as categorias de projetos elegíveis, incluindo:
- Conservação de energia e redução de carbono
- Proteção ambiental
- Reciclagem de recursos
- Transição para energia limpa e de baixo carbono
- Proteção e restauração ecológica
- Modernização de infraestrutura verde
- Serviços, comércio e consumo verdes
Segundo análise da Sustainable Fitch (braço da Fitch Group especializado em sustentabilidade), as novidades mais relevantes são a inclusão de “comércio verde” e “consumo verde”, que ampliam o alcance da taxonomia para além da produção, e a criação da subcategoria “transição verde e de baixo carbono em setores industriais-chave”, permitindo financiar a descarbonização de setores de difícil abatimento, mesmo que ainda não sejam considerados totalmente verdes.
Alinhamento parcial com padrões internacionais
A Sustainable Fitch destacou que o catálogo tem alinhamento parcial com normas internacionais, como as diretrizes da ICMA para projetos verdes. Entre as diferenças, estão critérios menos rigorosos para atividades “habilitadoras” e abordagens distintas para definir a elegibilidade de projetos.
Para a instituição, o novo sistema pode direcionar o fluxo de capitais para atividades de descarbonização industrial e para a produção local de tecnologias verdes, fortalecendo a posição da China nas cadeias globais de suprimentos.

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