Com investimentos recordes e programas focados em áreas rurais, a Copasa avança na universalização do saneamento, gerando impactos diretos na saúde pública, na redução da desigualdade e na valorização dos recursos hídricos do estado.

Em um país onde milhões ainda vivem sem acesso a serviços básicos, a expansão da rede de água e esgoto representa mais do que a instalação de infraestrutura; é um investimento estratégico com retornos mensuráveis na saúde, na economia e na qualidade de vida da população. Em Minas Gerais, essa transformação está em curso, impulsionada por um volume de investimentos sem precedentes e por programas estratégicos que visam corrigir um déficit histórico, especialmente em comunidades rurais e distritos afastados dos grandes centros.
O principal motor dessa mudança é o programa “Universaliza Minas”, uma iniciativa da Copasa lançada para acelerar o acesso ao saneamento básico em áreas historicamente desassistidas. Os números do programa, por si sós, dimensionam a ambição do projeto: com um investimento de R$ 386 milhões, a meta é levar água tratada e esgotamento sanitário para 290 mil pessoas até 2026 [1]. Em sua fase inicial, o programa já beneficiou 56 mil mineiros, marcando o início do fim de uma longa espera por dignidade e saúde [1].
Essa iniciativa é a resposta direta da companhia às metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que estipula que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto até 2033. Para cumprir essa meta, a Copasa projeta um investimento total de R$ 17 bilhões até 2029, um dos maiores planos de investimento do setor no Brasil [2].
O Impacto Direto na Saúde Pública: Um Círculo Virtuoso
A relação entre saneamento e saúde é um dos pilares para entender a importância da universalização. A ausência de água tratada e de coleta de esgoto é a causa primária de diversas doenças de veiculação hídrica, que sobrecarregam o sistema de saúde e afetam a produtividade da população.
O impacto é particularmente significativo na população infantil. Em 2024, segundo o Instituto Trata Brasil, das 344 mil internações por doenças relacionadas à falta de saneamento (DRSAI), cerca de 70 mil ocorreram em crianças de 0 a 4 anos, o que corresponde a 20 % do total de internações [3]. Esses números evidenciam o peso desproporcional que a falta de saneamento exerce sobre o público infantil, reforçando a urgência de políticas que acelerem a universalização desses serviços essenciais.
Esse mesmo estudo aponta que a universalização do saneamento básico no Brasil poderia evitar 86 760 internações anuais ligadas a Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI), o que representaria uma economia anual de cerca de R$ 49,93 milhões para o sistema de saúde — com um impacto positivo acumulado de aproximadamente R$ 1,255 bilhão a longo prazo [3].
Além dos benefícios na área da saúde, a universalização do saneamento básico pode gerar diferentes ganhos econômicos: estima-se que o aumento da produtividade do trabalho traria cerca de R$ 438 bilhões em ganhos, enquanto a valorização imobiliária poderia render R$ 2,4 bilhões por ano, e o setor do turismo teria um impulso estimado em R$ 4 bilhões anuais no Brasil [4].
Ao expandir a rede, o “Universaliza Minas” atua diretamente na prevenção, reduzindo a pressão sobre os postos de saúde e hospitais e garantindo um desenvolvimento mais saudável para as futuras gerações.
Saneamento como Ferramenta de Redução da Desigualdade
Além do ganho em saúde, a expansão do saneamento é uma poderosa ferramenta de redução da desigualdade social. A falta de acesso a esses serviços penaliza desproporcionalmente as populações mais vulneráveis, incluindo mulheres, que muitas vezes arcam com a tarefa de cuidar dos doentes e buscar água.
Ao garantir o acesso universal, o Estado promove a equidade e permite que milhares de pessoas possam se dedicar mais à educação e ao trabalho. O programa “Universaliza Minas” foca exatamente nessas áreas de maior vulnerabilidade, levando infraestrutura a distritos e povoados rurais que, por sua baixa densidade populacional e distância, ficavam fora dos planos de expansão tradicionais.
O compromisso socioambiental da Copasa vai além da prestação de serviços de abastecimento e esgotamento sanitário. Um exemplo é o programa Pró-Mananciais, criado em 2017 para proteger e recuperar microbacias hidrográficas e áreas de recarga de aquíferos [6]. Até 2022, a iniciativa recebeu investimentos superiores a R$ 60 milhões, beneficiando quase 300 municípios mineiros com ações como o plantio de mais de 87 mil mudas nativas, o cercamento de mais de 229 mil metros em áreas de preservação permanente e a construção de cerca de 4,5 mil bacias de contenção de água de chuva [7]. Além de garantir segurança hídrica para o futuro, o programa fortalece a educação ambiental e mobiliza comunidades, reforçando os pilares da agenda ESG.
Governança e Sustentabilidade: A Base para o Futuro
A viabilidade de um projeto dessa magnitude depende de uma governança sólida e de uma visão de longo prazo. A Copasa tem demonstrado esse compromisso através de investimentos recordes, que superaram a marca de R$ 2 bilhões em 2024. Esses recursos são detalhados em seus relatórios anuais de sustentabilidade, que oferecem transparência sobre a aplicação dos fundos e os resultados alcançados.
Ao conectar milhares de lares à rede de água e esgoto, a Copasa não está apenas cumprindo uma meta legal. Está construindo as bases para um desenvolvimento mais justo e sustentável em Minas Gerais, onde o acesso a um direito básico se converte em saúde, oportunidade e um futuro mais próspero para todos.
Referências Bibliográficas:
[1] Agência Minas Gerais (2024). Copasa leva saneamento básico para mais de 56 mil pessoas em áreas rurais de Minas Gerais. Disponível em: https://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/copasa-leva-dignidade-a-56-mil-moradores-de-localidades-rurais-em-minas.
[2] COPASA (2024). Investimentos Recordes da Copasa. Disponível em: [https://news.copasa.com.br/copasa-supera-recorde-e-pela-primeira-vez-alcanca-r-217-bilhoes-em-investimentos.
[3] Instituto Trata Brasil (2025). Saneamento é saúde: Como a falta de acesso à infraestrutura básica afeta as incidências de doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado no Brasil? Disponível em: https://tratabrasil.org.br/wp-content/uploads/2025/03/ESTUDO-COMPLETO-Saneamento-e-saude-Como-a-falta-de-acesso-a-infraestrutura-basica-afeta-as-incidencias-de-doencas-relacionadas-ao-saneamento-ambiental-inadequado-no-Brasil-TRATA-BRASIL.pdf.
[4] Instituto Trata Brasil. Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento no Brasil (2022). Disponível em: https://tratabrasil.org.br/beneficios-economicos-e-sociais-da-expansao-do-saneamento-no-brasil.
[5] Instituto Trata Brasil. Ausência de saneamento afeta crianças e idosos e aumenta internações (2025). Disponível em: https://tratabrasil.org.br/ausencia-saneamento-internacoes-crianca-idoso/.
[6] COPASA. Programa Pro-Mananciais. Disponível em: https://promananciais.copasa.com.br/.
[7] ARSAE-MG – Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais. Pró-Mananciais: parceria ARSAE-MG e Copasa investe R$ 60 milhões e beneficia quase 300 municípios (2023). Disponível em: https://www.arsae.mg.gov.br/2023/02/09/pro-mananciais-parceria-arsae-mg-e-copasa-investe-60-milhoes-de-reais-e-beneficia-quase-300-municipios/.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.