Cresce a demanda por trabalhadores com Green Skills, aponta pesquisa do LinkedIn

Trabalhadores que desenvolveram habilidades verdes estão obtendo benefícios significativos na carreira, incluindo taxas de contratação muito superiores às de seus pares. Isso ocorre porque a demanda corporativa por profissionais com competências verdes continua superando o ritmo de desenvolvimento dessas habilidades na força de trabalho. Além disso, trabalhadores com habilidades verdes estão sendo contratados para funções além dos cargos explicitamente ligados à sustentabilidade, segundo um novo estudo da rede social profissional LinkedIn.

O estudo, LinkedIn’s Green Skills Report 2025, analisou informações de perfis anônimos e agregados dos um bilhão de membros da plataforma em 84 países, de janeiro de 2021 a julho de 2025. As habilidades foram identificadas a partir das listas declaradas pelos usuários ou inferidas de outros elementos dos perfis, com apoio de taxonomistas especialistas que definiram 1.200 habilidades verdes.

Um dos principais achados do relatório é que tanto a contratação verde quanto o desenvolvimento de habilidades verdes continuaram crescendo em 2025 — porém em ritmos desiguais, criando um potencial déficit de habilidades verdes. Segundo os dados do LinkedIn, entre 2021 e 2025, o crescimento anual de habilidades verdes foi de 3,4%, bem abaixo da participação de contratações verdes, que atingiu 6,2%.

Essa diferença se acentuou ainda mais no último ano: de 2024 para 2025, a contratação verde cresceu 7,7%, quase o dobro da taxa de expansão das habilidades verdes na força de trabalho global, que foi de 4,3%.

No relatório, o LinkedIn afirma:

“Se não acelerarmos drasticamente o desenvolvimento de habilidades verdes, deixaremos tanto a ação climática quanto oportunidades econômicas para trás. Para governos, educadores e empregadores, reconhecer a transição verde como uma oportunidade econômica representa um momento ideal para investir muito mais nas pessoas.”

O estudo também mostra que as habilidades verdes estão se disseminando de forma mais ampla nas empresas, indo além de funções nichadas em sustentabilidade. Pela primeira vez, cargos não classificados como verdes representaram a maioria das contratações de trabalhadores com habilidades verdes, totalizando 53% em 2025.

O relatório destaca:

“São empregos que tradicionalmente poderiam ser executados sem habilidades verdes, mas onde essas competências estão sendo aplicadas cada vez mais para apoiar a transição climática e energética, promover adaptabilidade e gerar valor para os negócios. No conjunto, as habilidades verdes estão se tornando fundamentais e não mais nichadas, surgindo como uma vantagem competitiva no mercado de trabalho atual.”

À medida que a demanda cresce mais rápido do que o desenvolvimento de habilidades verdes — e conforme profissionais capacitados para a economia verde são chamados para um número maior de funções — esses trabalhadores também observam vantagens significativas em empregabilidade. O estudo aponta que a taxa de contratação para profissionais com habilidades verdes é 46,6% maior que a média global. Esse impacto aumentou de forma acentuada nos últimos anos.

A vantagem das habilidades verdes ocorre no momento em que os próprios trabalhadores demonstram maior interesse por empregos verdes. Uma pesquisa do LinkedIn realizada em setembro de 2025 identificou que 43% dos trabalhadores gostariam de atuar em funções que contribuam para a transição energética ou adaptação climática. O interesse é ainda maior entre jovens: 5 em cada 10 millennials e 6 em cada 10 integrantes da Geração Z.

O relatório destaca ainda que o crescimento das contratações verdes foi observado em todas as regiões: os 47 países avaliados apresentaram aumento na participação de contratações verdes entre 2021 e 2025. Entre as maiores economias, os Estados Unidos registraram uma das maiores taxas anuais, com 8,9%, atrás apenas do Brasil, com 10,7%, e à frente do Reino Unido (7,8%), Alemanha (5,4%) e França (4,9%).

Por setor, Tecnologia, Informação e Mídia liderou o avanço na proporção de contratações verdes entre 2021 e 2025, com crescimento de 11,3%, seguido por Transporte, Logística, Cadeia de Suprimentos e Armazenamento (8,0%) e Serviços Financeiros (7,5%). Todos os setores, em 2025, apresentaram participação de contratações verdes superior à concentração atual de talentos verdes, indicando expansão contínua dessas habilidades em todas as áreas da economia.

Sue Duke, Vice-Presidente de Políticas Públicas e Economic Graph do LinkedIn, afirmou:

“À medida que as habilidades verdes se espalham por toda a economia, elas ajudam a entregar o que governos e empresas mais valorizam — adaptabilidade, resiliência, eficiência, competitividade e inovação. O caminho da ambição climática para a ação é pavimentado por oportunidades econômicas para trabalhadores, empresas e governos, mas a distância entre oferta e demanda de profissionais qualificados continua colocando tudo isso em risco. Só reduziremos essa lacuna com ações decisivas para tornar habilidades e treinamento profissional parte central das políticas de clima e energia.”

Clique aqui para acessar o relatório.

O que são Habilidades Verdes?

Habilidades verdes são conhecimentos e capacidades que permitem aos trabalhadores atuar em processos, projetos e decisões que reduzem impactos ambientais, promovem eficiência no uso de recursos naturais e apoiam a transição para uma economia de baixo carbono. Diferentemente do que acontecia no passado, essas competências não se restringem a cargos ambientais. Elas aparecem em setores como energia, finanças, indústria, tecnologia, comércio, agronegócio e até em áreas administrativas.

Entre os principais conhecimentos técnicos considerados habilidades verdes estão gestão de emissões de carbono, sustentabilidade corporativa, relatórios de sustentabilidade, economia circular, auditoria ambiental, energia renovável, agricultura sustentável e eficiência energética. Também estão em alta habilidades comportamentais relacionadas à sustentabilidade, como pensamento sistêmico, análise crítica de impactos ambientais, inovação voltada à redução de danos e capacidade de adaptação a novos modelos produtivos.

A combinação entre demanda crescente e escassez de profissionais capacitados tem elevado o valor dessas competências no mercado. Empresas que implementam metas de descarbonização, programas de economia circular e compromissos ESG precisam de equipes preparadas para conduzir transformações internas, avaliar riscos climáticos, desenvolver produtos mais sustentáveis e garantir conformidade com novas normas regulatórias. Isso tem ampliado as oportunidades de carreira e aumentado a taxa de contratação de trabalhadores que já possuem habilidades verdes.

Especialistas apontam que essas competências serão fundamentais para os próximos anos, especialmente em um cenário em que governos e empresas aceleram ações para enfrentar a crise climática. Funcionários que investem em formação ambiental estão se destacando em processos seletivos, assumindo funções estratégicas e se tornando mais competitivos em um mercado que exige adaptação constante.

Com a transição global para práticas sustentáveis, habilidades verdes deixaram de ser um diferencial e passaram a ser parte indispensável da qualificação profissional moderna.