Cúpula dos Líderes: abertura política da COP30 começa hoje. Entenda!

Cúpula dos Líderes da COP30 define o tom político para as negociações do clima em Belém

A Cúpula dos Líderes da COP30 começa oficialmente nesta quinta-feira (6), em Belém (PA), reunindo mais de 50 chefes de Estado e de governo. O evento marca a abertura política da Conferência do Clima da ONU, que segue até 21 de novembro e será um dos momentos mais decisivos do ano para o debate climático global.

Diferentemente de outras edições — como Glasgow (2021) e Dubai (2023) —, os líderes se reúnem antes da abertura oficial da conferência, com o objetivo de orientar politicamente as negociações e ampliar o tempo para discutir os temas mais complexos da agenda climática.

Objetivo e formato da Cúpula dos Líderes

Convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Cúpula busca definir uma “direção política” para a COP30, sem caráter deliberativo. Segundo o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, “a cúpula não é deliberativa. O que é deliberativo é a COP”.

Durante dois dias de programação, os líderes participarão de três mesas de alto nível, com foco em florestas, oceanos, transição energética e financiamento climático.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre: destaque da Cúpula

Um dos anúncios mais aguardados é o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF), idealizado pelo governo brasileiro. O fundo deve se tornar um marco no financiamento climático, com o objetivo de remunerar financeiramente países que preservam suas florestas tropicais.

O fundo prioriza países com grandes áreas tropicais, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, reforçando o protagonismo da Amazônia no enfrentamento à crise climática.

Transição energética e metas globais

A segunda sessão da Cúpula será dedicada à transição energética, com foco em compromissos de curto e médio prazo. As metas incluem triplicar a capacidade global de energias renováveis até 2030 e duplicar a eficiência energética.

Outro destaque é o Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4x), uma coalizão liderada por Brasil, Itália e Japão que pretende quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, como hidrogênio verde, biogás e biocombustíveis.

Acordo de Paris e o financiamento climático global

A terceira mesa fará um balanço dos dez anos do Acordo de Paris (2015–2025), avaliando o cumprimento das metas climáticas e preparando as novas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) para 2035.

O debate também incluirá o Roteiro Baku–Belém, plano conjunto entre as presidências do Azerbaijão (COP29) e do Brasil (COP30), que prevê mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035. O documento propõe reformar o sistema financeiro climático com base em cinco pilares: reforçar, reequilibrar, redirecionar, reestruturar e reconfigurar.

Quem participa da Cúpula

De acordo com o Itamaraty, 143 delegações estão confirmadas. Entre os líderes presentes estão:

O Príncipe William representa o Reino Unido em nome do rei Charles III. Entre as ausências mais notadas estão Donald Trump, Xi Jinping e Javier Milei.

O papel da Cúpula: um termômetro político

A Cúpula dos Líderes da COP30 não tem poder deliberativo, mas funciona como um “termômetro político” — um espaço para medir o nível de engajamento global e definir o tom das negociações que seguirão nas próximas semanas.

É nesse ambiente que surgem os primeiros sinais de convergência ou tensão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, especialmente em temas como financiamento climático, adaptação e redução de emissões.

O discurso de abertura será feito pelo presidente Lula e pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que deve reforçar o chamado global à ação, afirmando que a COP30 precisa marcar “a virada entre a promessa e a prática”.

Belém: símbolo da Amazônia e da urgência climática

Realizada no Parque da Cidade, em Belém, a Cúpula dos Líderes antecede as negociações oficiais da COP30, que ocorrerão entre 10 e 21 de novembro.

A escolha da capital paraense é carregada de significado: é a primeira vez que uma conferência de alto nível da ONU ocorre no coração da Amazônia, região central nas discussões sobre biodiversidade, clima e desenvolvimento sustentável.