A nova edição do Sustainable Signals 2025 revela que 84% dos investidores institucionais esperam ampliar a participação de AUM (Ativos Sob Gestão) sustentáveis nos próximos dois anos, mesmo diante de incertezas regulatórias e políticas.
O relatório Morgan Stanley Sustainable Signals mostra que investidores institucionais pretendem aumentar suas alocações em estratégias sustentáveis até 2027, mesmo com preocupações crescentes relacionadas à volatilidade política, orientações regulatórias em mudança e limitações de dados.
A pesquisa Sustainable Signals 2025 entrevistou mais de 900 gestores e proprietários de ativos na América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico entre agosto e setembro.
Segundo o levantamento, 79% dos gestores de ativos e 86% dos proprietários de ativos esperam que a proporção de ativos sustentáveis em seus portfólios cresça. A maior confiança está na América do Norte, onde mais de 90% dos proprietários planejam aumentar alocações. Na Europa (82%) e no APAC (85%), o movimento também é consistente.
Jessica Alsford, Chief Sustainability Officer e Chair do Institute for Sustainable Investing do Morgan Stanley, afirmou que os resultados mostram a consolidação das finanças sustentáveis como uma estratégia orientada por desempenho. Segundo ela, a maioria dos entrevistados espera ampliar a participação de ativos sustentáveis motivada por performance financeira e histórico mais robusto.
Proprietários de ativos que planejam aumentar alocações citam justamente o fortalecimento do desempenho e um track record mais estabelecido como principais motivos. Isso indica uma mudança de investimentos temáticos iniciais para abordagens mais integradas, especialmente à medida que o risco climático se torna mais difícil de precificar.
Desafios Crescentes: Dados, Regulamentação e Volatilidade Política
Embora façam previsão de aumento das alocações, os investidores relatam um ambiente mais complexo para implementação.
38% dos entrevistados classificaram suas preocupações com investimentos sustentáveis como “muito significativas”, acima dos 25% registrados em 2024.
Entre os principais obstáculos estão:
- Disponibilidade e confiabilidade dos dados
- Orientações regulatórias inconsistentes
- Incertezas políticas em grandes mercados
Mais de 80% dos gestores e proprietários disseram que a sustentabilidade desempenha papel importante na gestão de risco, e cerca de um quarto aponta a redução de riscos como motivação principal para estratégias sustentáveis.
Alsford destacou que há convergência entre investidores institucionais, empresas e investidores individuais quanto à crescente relevância da gestão de risco climático e às mudanças esperadas nos próximos anos.
Clima e Adaptação Ganham Prioridade Entre Investidores
A pesquisa revela que adaptação climática e resiliência estão subindo rapidamente na lista de prioridades.
Mais de 75% dos entrevistados esperam que riscos climáticos físicos afetem preços de ativos em até cinco anos. Esse resultado acompanha estudos recentes do Instituto, indicando que mais de 60% das empresas projetam impactos climáticos relevantes em suas operações nesse mesmo período.
Investidores estão buscando oportunidades alinhadas à adaptação, incluindo:
- Dados e análises climáticas
- Infraestrutura hídrica
- Sistemas elétricos modernizados e resilientes
Globalmente, metade dos investidores institucionais afirma que a resiliência climática é parte central do modelo risco-retorno para ativos físicos como infraestrutura e imóveis; outros 42% consideram o tema de forma seletiva.
A adaptação subiu para o terceiro lugar entre as prioridades de investimento sustentável. Antes estava em sexto em 2024. Energia renovável e eficiência energética seguem como os dois temas prioritários em todas as regiões.
Apesar dessa evolução, barreiras permanecem fortes, como:
- Incertezas políticas
- Falta de métricas claras para medir desempenho de adaptação
- Modelagem insuficiente de riscos climáticos físicos
Essas lacunas dificultam a expansão de capital para infraestrutura e tecnologias focadas em resiliência.
Por Que os Resultados Importam Para os Mercados Globais
Os dados apontam para uma fase mais madura dos investimentos sustentáveis, em que desempenho, gestão de riscos e resiliência influenciam diretamente as decisões de alocação.
Entre as implicações estão:
- Riscos climáticos físicos tornam-se centrais na valoração de ativos
- Adaptação deixa de ser nicho e se torna prioridade mainstream
- Transparência regulatória e dados confiáveis tornam-se essenciais para destravar fluxos de capital
- Sustentabilidade passa a ser vista como elemento fundamental de gestão de riscos de longo prazo
Com o aumento das interrupções climáticas, o alinhamento do capital institucional com adaptação, resiliência e energia limpa influenciará o desenvolvimento de infraestrutura, cadeias de suprimentos, avaliação de ativos reais e construção de portfólios no longo prazo.
A abrangência global da pesquisa mostra que, apesar de contestações políticas, investidores estão se preparando para um cenário financeiro moldado pelo risco climático e pelas oportunidades da transição sustentável.
Leia a pesquisa completa clicando aqui.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.