Ativistas internacionais da Coalizão Flotilha da Liberdade, incluindo a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, foram detidos por forças israelenses nesta segunda-feira (9/6) enquanto navegavam rumo à Faixa de Gaza com ajuda humanitária.
O grupo estava a bordo do barco Madleen, que deixou a Sicília, na Itália, em 1º de junho, com o objetivo de romper simbolicamente o bloqueio israelense e denunciar a crise humanitária enfrentada pelos palestinos. A embarcação levava arroz, leite em pó para bebês e outros itens de necessidade básica.
Segundo a Coalizão Flotilha da Liberdade, os contatos com o barco foram perdidos durante a navegação em águas internacionais. A relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, afirmou que o navio foi cercado por lanchas rápidas e sobrevoado por aeronaves antes de ser interceptado por militares israelenses, o que interrompeu abruptamente as comunicações.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou a interceptação e declarou que o barco foi redirecionado com segurança para a costa israelense, especificamente para o porto de Ashdod. As autoridades afirmaram que os ativistas estão ilesos e que serão deportados para seus países de origem.
Israel classificou a ação como uma “provocação midiática” e ironizou o barco, chamando-o de “iate de celebridades para selfies”. Em publicações nas redes sociais, o governo israelense divulgou imagens dos ativistas usando coletes salva-vidas e recebendo água e comida. Alega ainda que o Madleen transportava “menos do que um caminhão de ajuda” e que existem canais apropriados para o envio de suprimentos à Gaza.
Em vídeo publicado anteriormente em seu perfil no Instagram, Thiago Ávila, de 37 anos, disse:
“Sou um cidadão brasileiro e membro da Coalizão Flotilha da Liberdade. Se você está assistindo a esse vídeo, significa que fui preso ou sequestrado por Israel em nossa tentativa de romper o bloqueio a Gaza.”
O ativista já participou de missões humanitárias, incluindo uma recente em Cuba.
Já Greta Thunberg, de 22 anos, é conhecida globalmente por seu ativismo climático. A jovem sueca, que ganhou notoriedade com a “Greve Escolar pelo Clima” em 2018, já foi detida diversas vezes por sua participação em protestos ambientais e agora apoia causas humanitárias ligadas à Palestina.
A bordo do Madleen estavam também cidadãos de países como França, Alemanha, Holanda, Espanha, Suécia e Turquia. A coalizão afirma que a ação é uma resposta à urgência humanitária em Gaza, onde o bloqueio marítimo imposto por Israel desde 2007 impede a entrada de alimentos, medicamentos e suprimentos.
A ofensiva militar israelense contra Gaza se intensificou após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos e mais de 250 sequestrados em território israelense. Desde então, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 54 mil pessoas foram mortas no enclave palestino.
Organizações internacionais criticam o bloqueio e denunciam que os civis em Gaza enfrentam risco de fome em massa. O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, afirmou que os palestinos estão diante da “escolha mais sombria: morrer de fome ou serem mortos enquanto tentam conseguir alimentos”.
A Coalizão Flotilha da Liberdade acusa Israel de agir de forma ilegal e violenta contra civis desarmados. O grupo afirma que continuará pressionando pelo fim do bloqueio à Gaza e pela garantia do direito internacional humanitário.
Brasil acompanha detenção de ativista Thiago Ávila em Gaza e cobra ação de Israel
Em nota oficial, o Itamaraty reafirmou seu compromisso com o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e solicitou a libertação imediata dos ativistas detidos. O Brasil também instou Israel a remover as restrições ao envio de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, destacando que o país, como potência ocupante, tem responsabilidades claras segundo o direito internacional.
“As embaixadas brasileiras na região estão em alerta e preparadas para prestar assistência consular, caso necessário, conforme determina a Convenção de Viena sobre Relações Consulares”, afirma o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
A interceptação da embarcação reacende o debate sobre o bloqueio de Gaza e a repressão a ações civis de solidariedade internacional. A presença de figuras públicas como Greta Thunberg e Rima Hassan também amplia a repercussão internacional do episódio, enquanto o governo brasileiro reforça seu posicionamento em defesa da ajuda humanitária, do direito internacional e da proteção a seus cidadãos no exterior.
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Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.