Acordo é o maior já realizado com a tecnologia de alcalinidade oceânica e prevê remoção de 115 mil toneladas de CO₂ até 2030
A startup canadense Planetary, especializada em remoção de carbono por alcalinidade oceânica (OAE, na sigla em inglês), anunciou um acordo de US$ 31 milhões para a captura e armazenamento de dióxido de carbono em larga escala. A negociação foi intermediada pela Frontier, coalizão global de compradores de soluções climáticas, e contou com empresas de peso como Google, Stripe, Shopify, H&M Group, Autodesk, McKinsey Sustainability e Workday.
Segundo o contrato, a Planetary irá entregar 115 mil toneladas de remoções de carbono entre 2026 e 2030, tornando-se o maior acordo já firmado nessa tecnologia. O processo consiste em adicionar substâncias antácidas puras à água do mar, aumentando sua alcalinidade, neutralizando CO₂ e armazenando-o em forma de sais estáveis por mais de 10 mil anos. Além de capturar carbono da atmosfera, a técnica também contribui para reverter a acidificação dos oceanos e restaurar a capacidade natural das águas costeiras de absorver gases de efeito estufa.
O novo contrato permitirá a expansão do projeto-piloto em Tufts Cove, Nova Scotia, onde a Planetary realizou recentemente as primeiras toneladas de OAE verificadas no mundo. A próxima fase terá início em 2026.
Escalabilidade e benefícios ambientais
De acordo com a Frontier, a tecnologia da Planetary tem potencial para remover bilhões de toneladas de CO₂ por ano, com custo estimado entre US$ 50 e US$ 160 por tonelada. Além disso, oferece benefícios ambientais como melhoria das condições para ecossistemas marinhos e combate direto à acidificação oceânica.
A empresa também se destaca pelo seu sistema de medição, relato e verificação (MRV), que utiliza sensores e modelos computacionais para monitorar o impacto da adição de minerais alcalinos no oceano — um dos maiores desafios dessa tecnologia.
Apoio de grandes companhias globais
Além dos compradores diretos, outras empresas como Canva, Match Group, Samsara, SKIMS, Skyscanner, Wise, Zendesk e Aledade também participarão das aquisições por meio da parceria da Frontier com a plataforma Watershed.
Mike Kelland, CEO da Planetary, destacou que o acordo representa um marco para a expansão da tecnologia:
“Este contrato nos permite demonstrar que a alcalinidade oceânica pode remover CO₂ de forma segura e eficaz além de testes em pequena escala. Acreditamos que esta pode ser a solução de remoção de carbono mais barata e escalável do mundo.”
Hannah Bebbington, líder de implantação da Frontier, reforçou o papel pioneiro da iniciativa:
“O desafio agora é garantir protocolos de medição rigorosos e engajamento com as comunidades locais. A Planetary está liderando esse caminho de forma responsável e inovadora.”

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.