O presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, classificou como “decepcionante” o atraso dos países signatários do Acordo de Paris na entrega das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — documentos que detalham os compromissos de cada nação para reduzir emissões de gases de efeito estufa e enfrentar os impactos da mudança do clima.
As NDCs deveriam ter sido apresentadas em fevereiro de 2024, mas o prazo foi prorrogado para setembro de 2025. Mesmo assim, apenas cerca de metade dos países enviou suas metas climáticas.
“Sim, há uma decepção. Importantes países não apresentaram”, afirmou Corrêa do Lago, em entrevista coletiva após um evento sobre metas de descarbonização.
De acordo com o embaixador, 101 países estão prestes a entregar seus documentos, mas a lentidão compromete a elaboração do relatório-síntese global, essencial para acompanhar o cumprimento do Acordo de Paris.
Apesar da frustração, Corrêa do Lago ressaltou que o atraso não significa falta de comprometimento.
“Os países estão levando o Acordo de Paris a sério. A China já apresentou, a União Europeia deve concluir seu debate interno até o dia 24 de outubro, e Índia e México ainda não apresentaram”, explicou.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre pode não estar pronto até a COP 30
Durante o mesmo evento, o presidente da COP 30 também comentou sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Segundo ele, o mecanismo ainda não deve estar totalmente operacional até a conferência, que será realizada em Belém (PA) em novembro de 2025.
“Fechado até a COP acredito que não. Os relatórios ainda não estão prontos para que os países possam formalizar sua entrada”, disse Corrêa do Lago.
O embaixador explicou que o avanço do fundo florestal internacional depende de análises técnicas de certificadoras e classificadoras, mas destacou que países em desenvolvimento já manifestaram interesse em realizar aportes assim que o mecanismo estiver ativo.
A importância das NDCs para o futuro do clima
As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) são consideradas o pilar central do Acordo de Paris, assinado em 2015. Elas representam as metas individuais de cada país para limitar o aquecimento global a 1,5°C e promover uma transição justa e sustentável.
Com a COP 30 se aproximando, a expectativa é que os governos reforcem seus compromissos e apresentem planos mais ambiciosos de neutralidade de carbono, preservação florestal e financiamento climático, temas que devem dominar a agenda em Belém.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.