Reino Unido integrará remoção de carbono ao Sistema de Comércio de Emissões até 2029

O Reino Unido anunciou um passo estratégico para acelerar a descarbonização de sua economia: a integração de remoções de gases de efeito estufa (GGRs) ao Sistema de Comércio de Emissões (UK ETS). A medida permitirá que empresas utilizem tecnologias de remoção de carbono para compensar emissões residuais difíceis de eliminar, reforçando o compromisso do país com as metas de net zero até 2050.

O que é o UK ETS e como funciona?

Criado em 2021 para substituir a participação britânica no Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS), o UK ETS estabelece um limite máximo de emissões para setores com alta intensidade de gases de efeito estufa. Esse limite é reduzido gradualmente, incentivando as empresas a diminuir suas emissões e investir em soluções de energia limpa.

Cada companhia recebe permissões anuais equivalentes a uma tonelada de CO₂ emitida. Se reduzir suas emissões abaixo do limite, pode vender as permissões excedentes no mercado, gerando receita e criando um preço para o carbono que estimula a inovação em tecnologias sustentáveis.

Por que incluir remoções de carbono no sistema?

Segundo o governo britânico, apenas reduções de emissões não serão suficientes para atingir a neutralidade climática. Será necessário combinar cortes profundos com remoção de carbono, especialmente para compensar setores de difícil descarbonização, como indústrias pesadas e transporte aéreo.

Em consulta pública realizada em 2024, o governo destacou:

“Além das reduções de emissões, as remoções de gases de efeito estufa são necessárias para equilibrar as emissões residuais de setores de difícil mitigação. Precisamos expandir significativamente o uso dessas tecnologias enquanto continuamos com cortes agressivos nas emissões.”

Assim, a integração dos GGRs ao UK ETS visa criar um único mercado eficiente, onde empresas poderão decidir entre investir em descarbonização direta ou adquirir créditos de remoção verificada.

Como funcionará a integração das remoções de carbono

A legislação que permitirá a inclusão dos GGRs deve ser concluída até final de 2028, com operação prevista para 2029.

Os principais pontos do plano incluem:

Impactos para empresas e para o mercado de carbono

Com a nova política, o UK ETS poderá se tornar um modelo híbrido, equilibrando reduções reais de emissões com compensações de alta integridade ambiental.

Para as empresas, isso significa:

Um passo estratégico para o net zero britânico

Ao integrar as remoções de carbono ao Sistema de Comércio de Emissões, o Reino Unido reforça seu compromisso de liderar a economia de baixo carbono. Além de reduzir emissões na fonte, o país pretende escalar soluções permanentes de sequestro, tornando-se um polo de inovação em tecnologias de descarbonização e captura de carbono.

A expectativa é que essa mudança crie um mercado robusto de remoções e forneça sinais econômicos claros para acelerar a transição climática, garantindo que setores difíceis de descarbonizar possam seguir operando de forma alinhada às metas climáticas nacionais.

Leia o documento completo divulgado pelo Reino Unido clicando aqui.