O Reino Unido anunciou um passo estratégico para acelerar a descarbonização de sua economia: a integração de remoções de gases de efeito estufa (GGRs) ao Sistema de Comércio de Emissões (UK ETS). A medida permitirá que empresas utilizem tecnologias de remoção de carbono para compensar emissões residuais difíceis de eliminar, reforçando o compromisso do país com as metas de net zero até 2050.
O que é o UK ETS e como funciona?
Criado em 2021 para substituir a participação britânica no Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS), o UK ETS estabelece um limite máximo de emissões para setores com alta intensidade de gases de efeito estufa. Esse limite é reduzido gradualmente, incentivando as empresas a diminuir suas emissões e investir em soluções de energia limpa.
Cada companhia recebe permissões anuais equivalentes a uma tonelada de CO₂ emitida. Se reduzir suas emissões abaixo do limite, pode vender as permissões excedentes no mercado, gerando receita e criando um preço para o carbono que estimula a inovação em tecnologias sustentáveis.
Por que incluir remoções de carbono no sistema?
Segundo o governo britânico, apenas reduções de emissões não serão suficientes para atingir a neutralidade climática. Será necessário combinar cortes profundos com remoção de carbono, especialmente para compensar setores de difícil descarbonização, como indústrias pesadas e transporte aéreo.
Em consulta pública realizada em 2024, o governo destacou:
“Além das reduções de emissões, as remoções de gases de efeito estufa são necessárias para equilibrar as emissões residuais de setores de difícil mitigação. Precisamos expandir significativamente o uso dessas tecnologias enquanto continuamos com cortes agressivos nas emissões.”
Assim, a integração dos GGRs ao UK ETS visa criar um único mercado eficiente, onde empresas poderão decidir entre investir em descarbonização direta ou adquirir créditos de remoção verificada.
Como funcionará a integração das remoções de carbono
A legislação que permitirá a inclusão dos GGRs deve ser concluída até final de 2028, com operação prevista para 2029.
Os principais pontos do plano incluem:
- Foco em remoções engenheiradas, como Captura Direta do Ar (DAC) e bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS).
- Exploração futura da inclusão de remoções florestais de alta qualidade, mas ainda sem decisão final.
- Remoções só contarão após verificação, com armazenamento mínimo garantido de 200 anos para ser elegível no ETS.
- Apenas projetos realizados no Reino Unido poderão ser considerados no início do programa.
- Leilões de remoção serão realizados para apoiar o desenvolvimento do mercado de tecnologias de captura.
- O limite total de permissões do sistema será mantido, substituindo créditos de emissão por créditos de remoção em proporção de 1 para 1.
Impactos para empresas e para o mercado de carbono
Com a nova política, o UK ETS poderá se tornar um modelo híbrido, equilibrando reduções reais de emissões com compensações de alta integridade ambiental.
Para as empresas, isso significa:
- Mais flexibilidade para atingir metas climáticas, especialmente para setores em que a eliminação total de emissões é tecnicamente inviável no curto prazo.
- Estímulo a novos investimentos em tecnologias de captura e armazenamento de carbono, impulsionando a inovação no setor de remoções.
- Possibilidade de geração de receita para operadores de GGRs, já que haverá demanda por créditos de remoção de longo prazo.
Um passo estratégico para o net zero britânico
Ao integrar as remoções de carbono ao Sistema de Comércio de Emissões, o Reino Unido reforça seu compromisso de liderar a economia de baixo carbono. Além de reduzir emissões na fonte, o país pretende escalar soluções permanentes de sequestro, tornando-se um polo de inovação em tecnologias de descarbonização e captura de carbono.
A expectativa é que essa mudança crie um mercado robusto de remoções e forneça sinais econômicos claros para acelerar a transição climática, garantindo que setores difíceis de descarbonizar possam seguir operando de forma alinhada às metas climáticas nacionais.
Leia o documento completo divulgado pelo Reino Unido clicando aqui.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.