UE reduz emissões de GEE em 37%, mas enfrenta riscos climáticos e ambientais crescentes, aponta relatório

A União Europeia alcançou uma redução expressiva nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) — caindo cerca de 37% desde 1990 — mesmo com forte crescimento econômico. Porém, o continente ainda lida com riscos cada vez maiores à competitividade ligados às mudanças climáticas e à degradação ambiental, revela novo relatório da Agência Europeia do Ambiente (EEA). 

Este documento faz parte da série quinquenal “Estado do Meio Ambiente na Europa”, elaborada sob mandato da Comissão Europeia, que avalia o panorama ambiental, climático e de sustentabilidade no continente. 

Objetivos climáticos ambiciosos e revisões emergentes

Em 2021, a UE aprovou a Lei do Clima, estabelecendo legalmente a meta de neutralidade climática para 2050. Também definiu como meta vinculante a redução de pelo menos 55% das emissões líquidas de GEE até 2030, em comparação com 1990. 

Mais recentemente, comprometeu-se a propor uma meta revisada para 2035, com redução entre 66,25% e 72,5%. A Comissão Europeia também sugeriu um objetivo radical de redução de 90% das emissões até 2040, que está atualmente em debate entre os legisladores. 

Progresso por setor e desafios remanescentes

O relatório registra que as emissões de GEE da UE caíram 37% desde 1990, mesmo com um aumento de 60% no PIB no mesmo período, e que a taxa anual de redução de emissões dobrou desde 2005. 

As mudanças na matriz energética foram fundamentais: a participação de fontes renováveis dobrou desde 2005, e em 2023 quase 25% da energia final consumida já era de fontes renováveis. Atualmente, 45% da eletricidade da UE é produzida por renováveis, enquanto o uso de combustíveis fósseis — especialmente carvão — declinou. 

Ainda assim, os combustíveis fósseis continuam dominantes — respondendo a quase 70% do uso bruto de energia da UE em 2023 — o que evidencia a necessidade de acelerar a transição energética e a eletrificação de processos industriais. 

Veja a redução por setor:

Setor de fornecimento de energia: –49% desde 2005 

Indústria: –36% 

Transporte doméstico: –6% 

Agricultura: –7% 

As previsões são de que o transporte doméstico reduza emissões com maior intensidade nos próximos anos, enquanto a agricultura deverá manter-se praticamente estável até 2030. 

Riscos econômicos e ameaça à biodiversidade

Apesar dos avanços climáticos, o relatório alerta que a UE encara riscos econômicos substanciais advindos das mudanças climáticas: entre 1980 e 2023, eventos climáticos e meteorológicos geraram mais de € 738 bilhões em prejuízos, sendo € 162 bilhões somente nos últimos três anos. 

Se o aquecimento ultrapassar 1,5 °C, as perdas estimadas entre 2031 e 2050 podem atingir € 2,4 trilhões, enquanto o PIB da UE pode ser reduzido em 7% até o fim do século. Setores vulneráveis incluem agricultura, silvicultura, mineração e construção. 

O relatório também destaca o avanço desigual em áreas ambientais: a biodiversidade na Europa segue em declínio, com 81% dos habitats avaliados em condição ruim ou muito ruim. A perspectiva de curto prazo é descrita como “sombria”, já que metas para ecossistemas não foram atingidas e as pressões naturais permanecem elevadas. 

A Vice-Presidente Executiva para Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, comentou:

“Este relatório é um lembrete contundente de que a Europa deve manter o curso e até acelerar nossas ambições climáticas e ambientais. Os eventos climáticos extremos recentes mostram como nossa prosperidade e segurança se tornam fragilizadas quando a natureza é degradada e os impactos climáticos se intensificam. Adiar nossos objetivos climáticos só aumentaria os custos, aprofundaria desigualdades e reduziria nossa resiliência. Proteger a natureza não é um custo — é um investimento em competitividade, resiliência e bem-estar dos cidadãos. Se intensificarmos a ação agora, podemos construir uma Europa mais limpa, justa e resiliente para as futuras gerações.” 

👉 Veja o relatório completo: [https://www.eea.europa.eu/en/europe-environment-2025/main-report