Quem trabalha com meio ambiente, sustentabilidade, ESG, mudanças climáticas, gestão pública ou pesquisa precisa cada vez mais acessar dados confiáveis para analisar riscos, acompanhar impactos ambientais e apoiar a tomada de decisões.
No Brasil, diferentes órgãos públicos e instituições disponibilizam plataformas ambientais gratuitas que permitem consultar mapas, séries históricas, alertas, indicadores e informações sobre clima, desmatamento, biodiversidade, qualidade do ar, recursos hídricos, agricultura e resíduos sólidos.
Entre elas estão ferramentas desenvolvidas ou coordenadas por instituições como MCTI, INPE, Cemaden, ANA, INMET, MMA, Embrapa e Serviço Geológico do Brasil (SGB).
A seguir, o Portal do ESG reúne algumas das principais ferramentas e plataformas ambientais gratuitas disponíveis no Brasil e explica para que serve cada uma.
1. AdaptaBrasil: consulte riscos e impactos das mudanças climáticas
O AdaptaBrasil MCTI é uma das principais plataformas brasileiras para quem busca informações sobre riscos climáticos e adaptação às mudanças do clima.
Desenvolvido em cooperação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP), o sistema reúne informações sobre impactos observados e projetados das mudanças climáticas no território brasileiro.
A plataforma permite analisar diferentes riscos e setores, oferecendo informações que podem apoiar gestores públicos, pesquisadores, empresas e organizações na elaboração de estratégias de adaptação climática. O AdaptaBrasil também é uma das bases científicas utilizadas na estratégia climática brasileira.
Ideal para: mudanças climáticas, adaptação, gestão de riscos, planejamento municipal, pesquisa e ESG.
2. TerraBrasilis: monitore desmatamento e mudanças na cobertura da vegetação
O TerraBrasilis, desenvolvido pelo INPE, reúne dados espaciais produzidos por programas oficiais de monitoramento ambiental, incluindo o PRODES e o DETER.
A plataforma permite consultar e visualizar informações geográficas relacionadas ao monitoramento da vegetação e do desmatamento, possibilitando análises por meio de mapas e diferentes recortes territoriais.
Um ponto importante é entender a diferença entre os sistemas: o PRODES é utilizado para o monitoramento anual do desmatamento, enquanto o DETER fornece alertas destinados, entre outros usos, a apoiar ações de fiscalização. O TerraBrasilis disponibiliza esses dados para consulta e análise.
Ideal para: monitoramento ambiental, desmatamento, uso e cobertura da terra, pesquisa, fiscalização e gestão territorial.
3. Cemaden: acompanhe alertas de desastres naturais
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) é uma referência no monitoramento de riscos relacionados a eventos extremos no Brasil.
Os sistemas do órgão são utilizados para acompanhar situações que podem favorecer desastres, especialmente aqueles associados a inundações, enxurradas e movimentos de massa, contribuindo para a emissão de alertas e para a preparação das autoridades.
Para municípios e profissionais envolvidos com gestão de riscos e defesa civil, as informações do Cemaden são especialmente relevantes.
Ideal para: prevenção de desastres, defesa civil, gestão de riscos, planejamento urbano e adaptação climática.
4. Monitor de Secas: acompanhe a situação da seca no Brasil
A seca está entre os eventos climáticos que podem provocar impactos significativos sobre a agricultura, os recursos hídricos, os ecossistemas e as atividades econômicas.
O Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), permite acompanhar a intensidade, extensão e evolução das condições de seca no território brasileiro.
A ferramenta é útil para compreender a distribuição espacial do fenômeno e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.
Ideal para: recursos hídricos, agricultura, gestão de secas, planejamento e pesquisa climática.
5. SACE: monitore níveis de rios e riscos hidrológicos
O Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE), do Serviço Geológico do Brasil (SGB), disponibiliza informações utilizadas no acompanhamento de condições hidrológicas em diferentes regiões.
A plataforma reúne dados de sistemas de alerta e permite acompanhar informações relacionadas a níveis de rios e eventos hidrológicos críticos.
Esses dados podem ser importantes para municípios, pesquisadores e profissionais envolvidos com prevenção de enchentes e planejamento territorial.
Ideal para: monitoramento hidrológico, enchentes, recursos hídricos e gestão de riscos.
6. Singed Lab Desastres: analise informações sobre desastres no Brasil
O Singed Lab Desastres, desenvolvido pelo IBGE em parceria com o Cemaden, reúne informações que ajudam a compreender a ocorrência e os impactos de desastres no território brasileiro.
A plataforma permite cruzar diferentes informações territoriais e ambientais, contribuindo para análises relacionadas à ocorrência de desastres, população exposta, vulnerabilidade e características dos municípios.
A ferramenta pode ser útil para pesquisadores, gestores públicos, profissionais de planejamento urbano e especialistas em gestão de riscos e adaptação às mudanças climáticas.
Ideal para: desastres naturais, vulnerabilidade, gestão de riscos, planejamento territorial, adaptação climática e políticas públicas.
7. MapBiomas: consulte décadas de mudanças no território brasileiro
O MapBiomas é uma rede colaborativa que disponibiliza informações sobre uso e cobertura da terra, desmatamento, água, agricultura, mineração, queimadas e outras transformações ambientais.
Uma das principais vantagens da plataforma é a possibilidade de analisar séries históricas e visualizar como o território brasileiro mudou ao longo dos anos.
Embora não seja uma plataforma governamental, o MapBiomas é amplamente utilizado por pesquisadores, empresas, organizações e órgãos públicos.
Ideal para: análise territorial, mudanças no uso da terra, conservação, agricultura, florestas e pesquisa.
8. BDMEP: acesse dados meteorológicos históricos
Precisa consultar temperatura, precipitação, umidade e outros dados meteorológicos históricos?
O Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP), do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), disponibiliza séries históricas provenientes de estações meteorológicas.
A ferramenta é especialmente útil para pesquisadores, estudantes, consultores e profissionais que precisam trabalhar com dados climáticos históricos.
Ideal para: pesquisas climáticas, estudos ambientais, agricultura, planejamento e análises meteorológicas.
9. MonitorAr: consulte a qualidade do ar em diferentes regiões do Brasil
O MonitorAr, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), permite consultar informações sobre a qualidade do ar a partir de dados de estações de monitoramento.
A plataforma apresenta informações por meio do Índice de Qualidade do Ar (IQAr), permitindo acompanhar as condições atmosféricas em diferentes localidades. Os dados são atualizados diariamente e o sistema apresenta informações em tempo real para diversas regiões.
Ideal para: qualidade do ar, poluição atmosférica, saúde ambiental, planejamento urbano e pesquisa.
10. ZARC Plantio Certo: descubra as melhores épocas para plantar
O ZARC Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa, ajuda produtores e profissionais do setor agrícola a identificar janelas de plantio com menor risco climático para diferentes culturas.
A ferramenta utiliza informações relacionadas às condições climáticas e características das culturas para indicar períodos mais adequados ao plantio em diferentes municípios.
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) também possui importância para políticas de gestão de riscos na agricultura.
Ideal para: agricultura, gestão de riscos climáticos, produtores rurais, planejamento agrícola e agronegócio.
11. SiBBr: pesquise informações sobre a biodiversidade brasileira
O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) reúne e integra informações sobre a biodiversidade do país.
A plataforma é uma importante fonte de dados para quem pesquisa fauna, flora, espécies, ecossistemas e conservação da biodiversidade brasileira.
O acesso a dados integrados pode apoiar pesquisas científicas, políticas públicas e iniciativas de conservação.
Ideal para: biodiversidade, pesquisa científica, conservação, fauna e flora.
12. SINIR: consulte informações sobre resíduos sólidos
O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR) reúne informações e ferramentas relacionadas à gestão de resíduos no Brasil.
A plataforma disponibiliza dados e sistemas voltados para diferentes etapas da gestão de resíduos, incluindo o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR).
O MTR Nacional passou a utilizar exclusivamente o login Gov.br para acesso a partir de 1º de agosto de 2026.
Ideal para: gestão de resíduos, logística reversa, empresas, gestores ambientais e profissionais de sustentabilidade.
13. SIRENE: consulte dados de emissões de gases de efeito estufa
O SIRENE — Sistema de Registro Nacional de Emissões é uma plataforma do MCTI relacionada à disponibilização de informações sobre emissões de gases de efeito estufa (GEE).
A ferramenta é relevante para quem acompanha o inventário nacional de emissões e busca informações para estudos sobre mudanças climáticas, descarbonização e políticas climáticas.
Ideal para: emissões de GEE, mudanças climáticas, inventários, descarbonização e pesquisa.
14. Portal de Projeções Climáticas: consulte cenários futuros
Além dos dados observados, compreender as possíveis condições climáticas futuras é fundamental para o planejamento da adaptação.
As ferramentas de projeções climáticas desenvolvidas no âmbito do INPE permitem acessar informações que ajudam a analisar possíveis mudanças em variáveis climáticas em diferentes cenários.
Esses dados podem apoiar estudos sobre vulnerabilidade, infraestrutura, agricultura, recursos hídricos e planejamento territorial.
Ideal para: projeções climáticas, pesquisa, planejamento territorial e adaptação.
Conheça as ferramentas climáticas do INPE
15. Painéis e dados ambientais do IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também disponibiliza uma ampla variedade de dados que podem ser utilizados em análises ambientais.
Informações sobre território, população, uso da terra, saneamento, recursos naturais e características dos municípios podem ser combinadas com outras bases para produzir diagnósticos ambientais e climáticos.
Para profissionais de sustentabilidade e gestão pública, os dados do IBGE são especialmente úteis para contextualizar indicadores ambientais dentro da realidade socioeconômica de cada território.
Ideal para: indicadores ambientais, municípios, planejamento territorial, sustentabilidade e pesquisa.
Qual ferramenta ambiental usar?
A escolha depende do tipo de informação que você precisa encontrar.
| Se você quer… | Ferramenta indicada |
|---|---|
| Analisar riscos das mudanças climáticas | AdaptaBrasil |
| Acompanhar alertas de desastres | Cemaden |
| Monitorar desmatamento | TerraBrasilis |
| Analisar uso e cobertura da terra | MapBiomas |
| Consultar dados meteorológicos históricos | BDMEP/INMET |
| Acompanhar qualidade do ar | MonitorAr |
| Monitorar secas | Monitor de Secas |
| Acompanhar níveis de rios | SACE |
| Impactos de desastres no território brasileiro | Singed Lab Desastres |
| Avaliar riscos climáticos para agricultura | ZARC Plantio Certo |
| Pesquisar biodiversidade | SiBBr |
| Consultar informações sobre resíduos | SINIR |
| Pesquisar emissões de GEE | SIRENE |
| Consultar projeções climáticas | INPE |
| Pesquisar indicadores territoriais | IBGE |
Por que essas ferramentas são importantes para o ESG?
O acesso a dados ambientais confiáveis deixou de ser relevante apenas para pesquisadores e órgãos públicos. Empresas, consultorias e profissionais de ESG e sustentabilidade também precisam de informações para avaliar riscos, estabelecer indicadores e tomar decisões.
Dados sobre desmatamento, emissões de gases de efeito estufa, riscos climáticos, disponibilidade hídrica, qualidade do ar, biodiversidade e uso da terra podem contribuir para diagnósticos ambientais, avaliações de risco e planejamento de estratégias de sustentabilidade.
Além disso, o uso de bases públicas ajuda a aumentar a transparência e permite comparar informações de diferentes territórios e períodos.
Ferramentas gratuitas podem apoiar decisões ambientais
O Brasil possui uma extensa infraestrutura de dados ambientais que pode ser utilizada gratuitamente por cidadãos, estudantes, pesquisadores, empresas e gestores públicos.
Entre as opções, o AdaptaBrasil se destaca para análises de risco climático; o TerraBrasilis é uma importante fonte para monitoramento territorial e desmatamento; o Cemaden e o SACE são relevantes para acompanhamento de riscos e eventos hidrológicos; enquanto ferramentas como MonitorAr, SINIR, SiBBr, BDMEP e ZARC atendem necessidades específicas.
Mais do que reunir links, conhecer essas plataformas permite encontrar dados ambientais confiáveis para transformar informação em análise, planejamento e tomada de decisão.
Atualização: plataformas e sistemas públicos podem passar por mudanças, incluindo atualização de dados, endereços e formas de acesso. Consulte sempre a página oficial de cada ferramenta antes de utilizar as informações em análises ou documentos técnicos.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.