Pesquisa analisou 123 estudos publicados ao longo de quatro décadas e identificou quatro pilares essenciais para transformar ESG em vantagem competitiva
À medida que as exigências regulatórias se tornam mais rígidas e investidores, consumidores e governos aumentam a pressão por transparência, o ESG deixou de ser apenas uma pauta reputacional para se tornar um fator estratégico de competitividade. Um estudo publicado na revista Humanities and Social Sciences Communications, do grupo Nature, mostra que empresas bem-sucedidas em sustentabilidade compartilham quatro capacidades fundamentais que permitem transformar compromissos ambientais, sociais e de governança em resultados concretos.
Os pesquisadores Cheng Hu e Rafidah Binti Othman realizaram uma revisão sistemática de 123 artigos científicos publicados entre 1984 e 2024 e concluíram que o desenvolvimento de capacidades em ESG não ocorre de forma linear, mas depende da combinação de competências organizacionais, conhecimento e adaptação constante.
Os quatro pilares do ESG
Segundo o estudo, empresas que conseguem avançar além do simples cumprimento de normas apresentam quatro capacidades principais:
Governança de dados: envolve a coleta, análise e gestão de indicadores ESG, permitindo relatórios mais precisos e decisões estratégicas baseadas em evidências.
Aprendizagem organizacional: diz respeito à capacidade de adquirir conhecimento, integrar diferentes áreas e transformar experiências em melhoria contínua.
Adaptabilidade estratégica: permite responder rapidamente às mudanças regulatórias e às novas demandas dos stakeholders, convertendo desafios em oportunidades de negócio.
Integração tecnológica: inclui o uso de inteligência artificial, análise de dados e outras ferramentas digitais para aprimorar a gestão e criar novos serviços e soluções sustentáveis.
Quatro estágios de maturidade
Os pesquisadores identificaram ainda quatro configurações de desenvolvimento das organizações em ESG.
No estágio mais básico, as empresas atuam apenas para atender às exigências regulatórias. Em seguida, investem na construção de competências internas. Um terceiro grupo integra a sustentabilidade às decisões estratégicas do negócio. Já as organizações mais avançadas utilizam o ESG como fonte de inovação e diferenciação competitiva.
ESG vai além do compliance
O trabalho destaca que possuir recursos financeiros ou investir em tecnologia não é suficiente. Sem estruturas adequadas de governança de dados e mecanismos de aprendizagem organizacional, investimentos em transformação digital podem não gerar ganhos reais em desempenho ESG.
“O desenvolvimento das capacidades é hierárquico e depende da integração entre diferentes competências”, afirmam os autores.
Liderança e contexto fazem diferença
O estudo também mostra que fatores como tamanho da empresa, setor de atuação, disponibilidade de recursos, ambiente regulatório e comprometimento da liderança influenciam diretamente a velocidade e a profundidade da evolução em ESG.
Empresas expostas a maior pressão regulatória tendem a priorizar a governança de dados, enquanto organizações em mercados altamente competitivos utilizam a sustentabilidade como elemento de inovação e geração de valor.
Vantagem competitiva sustentável
Para os autores, o maior diferencial das empresas líderes em ESG não está apenas em atender requisitos de conformidade, mas em incorporar a sustentabilidade aos processos de tomada de decisão e à estratégia corporativa.
“O desenvolvimento das capacidades em ESG deve ser visto como um processo contínuo de adaptação e aprendizado, e não como um exercício de compliance”, conclui o estudo.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.