A Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA), instituição responsável pela política monetária e supervisão bancária do território, anunciou em 26 de janeiro de 2026 o lançamento da fase 2A da Taxonomia de Finanças Sustentáveis de Hong Kong. A atualização amplia de forma significativa o sistema de classificação de atividades econômicas sustentáveis, passando a incluir categorias voltadas à transição climática, à adaptação às mudanças do clima e a um número maior de setores e atividades econômicas.
A nova fase dá continuidade à taxonomia lançada pela HKMA em maio de 2024, criada para oferecer um referencial que permita a investidores identificar atividades com impacto ambiental positivo, evitar investimentos prejudiciais ao meio ambiente e alinhar o capital a metas climáticas compatíveis com uma economia de baixo carbono. Desde o início, o banco central sinalizou que a taxonomia seria construída de forma gradual, com a incorporação progressiva de novos setores e categorias. Em setembro de 2025, a autoridade monetária abriu consulta pública sobre a proposta da fase 2A, agora oficialmente publicada.
Uma das principais mudanças trazidas pela atualização é a inclusão formal de categorias voltadas à transição climática, ampliando o escopo da taxonomia, que antes se concentrava apenas em atividades classificadas como verdes. A partir de agora, as atividades de mitigação climática passam a ser classificadas em três grupos. A categoria Verde engloba atividades que já operam com emissões líquidas zero ou estão alinhadas a uma trajetória compatível com o limite de 1,5°C. A categoria Transição abrange atividades intensivas em carbono que seguem um plano de descarbonização com prazo definido, compatível com a meta de neutralidade climática até 2050. Já a categoria Exclusão reúne atividades que não atendem aos critérios de verde ou transição, são incompatíveis com um futuro alinhado a 1,5°C ou possuem baixa relevância climática.
Segundo a HKMA, a incorporação da dimensão de transição é essencial para impulsionar a descarbonização da economia real, especialmente em setores de altas emissões, como energia e manufatura. Ao definir trajetórias críveis de alinhamento às metas de neutralidade climática, a taxonomia busca mobilizar e ampliar o financiamento de transição, reduzir riscos de descontinuidade econômica e promover uma transição ordenada, equilibrando objetivos ambientais e crescimento econômico.
Dentro da categoria de transição, a taxonomia passa a adotar duas subcategorias. A primeira é a de Atividade de Transição, que se refere a atividades que ainda não estão alinhadas à trajetória de 1,5°C, mas demonstram progresso consistente ou viabilizam reduções significativas de emissões no curto prazo. A segunda é a de Medida de Transição, que contempla componentes específicos de uma atividade capazes de melhorar parcialmente seu desempenho climático, como a adoção de energia de baixo carbono em processos industriais intensivos.
Um elemento central dessa abordagem é o critério de prazo definido. As atividades classificadas como de transição só permanecem elegíveis até uma data-limite, que varia conforme o setor e a atividade, levando em conta fatores como maturidade tecnológica, impacto ambiental e políticas regulatórias. Essa lógica busca evitar o prolongamento indefinido de atividades intensivas em carbono sob o rótulo de transição.
Outra novidade relevante da fase 2A é a criação da categoria de Adaptação às Mudanças Climáticas. Inicialmente, essa categoria inclui medidas adaptativas, entendidas como componentes de atividades, e não como atividades completas, como tecnologias, processos, materiais, práticas ou serviços que aumentem a resiliência climática. A abordagem inicial adota uma lista positiva, na qual determinadas medidas são automaticamente consideradas elegíveis, sem necessidade de cumprir critérios adicionais. A HKMA informou que, à medida que o entendimento global e local sobre adaptação evoluir, critérios mais sofisticados e específicos para Hong Kong poderão ser desenvolvidos.
A atualização também amplia de forma expressiva o escopo setorial da taxonomia. O número de setores cobertos passa de quatro para seis, com a inclusão dos setores de manufatura e de tecnologia da informação e comunicação. O número de atividades econômicas mais que dobra, passando de 12 para 25, incorporando áreas como transmissão e distribuição de eletricidade, sistemas de aquecimento e resfriamento distrital e infraestrutura de transporte de baixo carbono.
De acordo com a HKMA, o desenvolvimento da próxima fase da taxonomia já está em andamento. Estão em análise atividades como geração de energia nuclear e a gás natural, hidrogênio para geração elétrica, combustíveis sustentáveis de aviação, além de setores como captura, utilização e armazenamento de carbono, tratamento de resíduos e efluentes. Também estão previstas discussões adicionais sobre adaptação climática e sobre a aplicação do princípio de não causar danos significativos.
A ampliação da taxonomia reforça o papel de Hong Kong como um dos principais polos financeiros da Ásia na agenda de finanças sustentáveis e sinaliza uma tendência global de maior rigor, clareza e abrangência nos critérios que orientam investimentos alinhados à transição climática.
Clique aqui para acessar a Taxonomia de Finanças Sustentáveis de Hong Kong – Fase 2A.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.