MapBiomas lança Coleção 11 com 41 anos de mapas e nova plataforma para personalização de dados ambientais

Nova coleção mostra que a vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território brasileiro entre 1985 e 2025 e apresenta o Meu MapBiomas, plataforma que permite a instituições customizarem o uso dos dados.

O MapBiomas lançou, em 12 de agosto de 2026, a Coleção 11 de Cobertura e Uso da Terra, nova atualização da série histórica de mapas anuais que acompanha as transformações do território brasileiro desde 1985.

A novidade foi apresentada durante o seminário “Cada vez mais Brasil: As transformações do território brasileiro e a exposição aos eventos extremos”, realizado no Museu Nacional da República, em Brasília. O evento também marcou o lançamento do Meu MapBiomas, uma nova plataforma voltada à customização dos dados para atender perguntas e desafios específicos de instituições.

Coleção 11 mostra transformação de um terço do território brasileiro

Os dados da nova coleção revelam a dimensão das mudanças ocorridas no Brasil nos últimos 41 anos.

Entre 1985 e 2025, a participação da vegetação nativa no território brasileiro caiu de 79% para 65%.

A Formação Florestal continua sendo a principal cobertura natural do país, com 359,5 milhões de hectares em 2025, o equivalente a 42,3% do território nacional. Ao mesmo tempo, foi a cobertura que apresentou a maior redução absoluta no período, com uma perda acumulada de 65 milhões de hectares.

Outro dado chama atenção: 33% do território brasileiro passou por pelo menos uma mudança de cobertura e uso da terra entre 1985 e 2025.

Foram 241 milhões de hectares com algum tipo de transição. Desse total, 56%, ou aproximadamente 136 milhões de hectares, correspondem à conversão de vegetação nativa para áreas de agropecuária.

As mudanças incluem ainda alterações na superfície de água, expansão de áreas antrópicas sobre ambientes naturais, regeneração da vegetação e transições entre diferentes usos da terra.

Mudanças no território e maior exposição a eventos extremos

O tema escolhido para o seminário relaciona diretamente as transformações do território com a exposição da população e dos ecossistemas a eventos climáticos extremos, como secas e enchentes.

A redução e fragmentação de áreas naturais pode comprometer serviços ecossistêmicos importantes para a regulação do ciclo hidrológico, conservação da biodiversidade e redução de impactos associados a eventos extremos.

O debate ganha importância adicional em um cenário de maior variabilidade climática e diante da possibilidade de ocorrência de El Niño em 2026, fenômeno que pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país.

Na abertura do evento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e a CEO da COP30, Ana Toni, destacaram a importância do MapBiomas como fonte de informações para apoiar a tomada de decisões de gestores públicos e outros atores.

Meu MapBiomas permite customizar os dados

Uma das principais novidades apresentadas no lançamento da Coleção 11 foi o Meu MapBiomas.

A proposta é permitir que instituições customizem o uso dos dados do MapBiomas para responder a perguntas e desafios específicos, ampliando as possibilidades de aplicação das informações produzidas pela rede.

A ferramenta parte da ideia de que diferentes organizações podem precisar analisar o território sob perspectivas específicas. Assim, os dados podem ser utilizados para construir análises direcionadas a determinados problemas, territórios, atividades econômicas ou espécies.

Um dos exemplos apresentados durante o seminário foi o trabalho do Onçafari, que utilizou dados do MapBiomas para ampliar o entendimento sobre como atividades como mineração e cultivo de soja podem impactar as populações de onças no Cerrado.

O caso demonstra como dados de cobertura e uso da terra podem ser combinados com informações sobre biodiversidade para investigar relações entre mudanças no território e conservação de espécies.

As versões anteriores não tinham essa função?

Nas versões anteriores, o MapBiomas já permitia bastante personalização e análise dos dados. Por exemplo, a plataforma já oferecia a possibilidade de selecionar um território de interesse, tema e período e baixar mapas e estatísticas. O Toolkit do MapBiomas também permitia trabalhar com qualquer território de interesse, inclusive fazendo upload de um shapefile, e gerar mapas e estatísticas para a geometria escolhida.

Pelo que está sendo apresentado no lançamento da Coleção 11, a novidade não é simplesmente “agora é possível personalizar mapas”. A diferença está em uma proposta mais direcionada de customização para instituições, permitindo que elas tenham uma aplicação do MapBiomas voltada para perguntas, problemas e necessidades específicas.

O próprio exemplo do Onçafari ajuda a entender isso: em vez de apenas consultar um mapa de uso da terra, a instituição utiliza os dados do MapBiomas dentro de uma aplicação pensada para investigar uma questão específica, como mineração e cultivo de soja podem afetar as populações de onças no Cerrado.

100 instituições serão selecionadas para participar da fase inicial

O MapBiomas também abriu uma oportunidade para instituições interessadas em desenvolver seus próprios usos da ferramenta.

Na fase inicial do projeto, 100 instituições serão selecionadas para participar do processo.

Para se candidatar, a instituição deve acessar a plataforma e clicar na opção “Quer ter o seu MapBiomas?”. Em seguida, será necessário preencher um formulário com informações como:

A proposta é justamente descobrir o que diferentes instituições podem fazer com seus próprios MapBiomas, ampliando as aplicações da base de dados para além das análises tradicionais.

Acesse a plataforma Meu MapBiomas: plataforma.brasil.mapbiomas.org

Uma base importante para clima, biodiversidade e ESG

A Coleção 11 também amplia as possibilidades de uso dos dados do MapBiomas em áreas como mudanças climáticas, biodiversidade, planejamento territorial, agricultura, conservação ambiental e ESG.

Para empresas, por exemplo, informações sobre mudanças de uso da terra podem contribuir para análises de riscos socioambientais, avaliação de cadeias produtivas e identificação de impactos sobre áreas naturais.

Para governos e instituições de pesquisa, a série histórica permite compreender como diferentes regiões foram transformadas e utilizar esse conhecimento no planejamento de políticas públicas.

Já para organizações voltadas à conservação, os dados podem ajudar a identificar áreas prioritárias, acompanhar mudanças nos habitats e avaliar a relação entre atividades econômicas e biodiversidade.

41 anos de transformação do território brasileiro

Ao reunir dados de 1985 a 2025, a Coleção 11 do MapBiomas oferece uma perspectiva de longo prazo sobre como o Brasil transformou seu território.

Os números mostram que a expansão de atividades humanas ocorreu em escala muito superior à de uma simples mudança localizada na paisagem: 241 milhões de hectares passaram por algum tipo de transição em quatro décadas.

Agora, com o Meu MapBiomas, o desafio passa a ser transformar essa enorme quantidade de informações em respostas para problemas concretos.

A nova plataforma abre espaço para que instituições desenvolvam análises próprias e descubram novas aplicações para uma das principais bases de dados ambientais do Brasil.