O aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos tem reforçado a necessidade de ferramentas capazes de apoiar a tomada de decisões antes, durante e depois de desastres naturais. Nesse contexto, o Singed Lab Desastres, plataforma desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), reúne informações estratégicas para fortalecer a gestão de riscos climáticos no Brasil.
A plataforma foi criada para atender gestores públicos e privados, oferecendo dados integrados, inteligência territorial e suporte técnico para o planejamento de ações de prevenção, preparação e resposta a eventos como enchentes, deslizamentos, secas, ondas de calor e outros fenômenos associados às mudanças climáticas.
O que é o Singed Lab Desastres?
O Singed Lab Desastres é um ambiente digital que concentra informações geográficas, estatísticas e ambientais para auxiliar municípios e instituições na gestão de riscos e desastres. A proposta é transformar grandes volumes de dados em informações úteis para apoiar decisões rápidas e reduzir impactos sociais, econômicos e ambientais.
A plataforma permite organizar e acompanhar informações relacionadas a eventos extremos, facilitando a identificação de áreas vulneráveis e contribuindo para o planejamento de medidas preventivas.
Para que serve a plataforma do IBGE?
Entre as principais funções do Singed Lab Desastres estão:
- reunir dados sobre desastres naturais e eventos climáticos extremos;
- apoiar gestores públicos na elaboração de estratégias de prevenção;
- disponibilizar informações territoriais para subsidiar planos de contingência;
- fornecer suporte técnico durante situações de emergência;
- integrar informações produzidas pelo IBGE e pelo Cemaden;
- auxiliar na avaliação de impactos diretos e indiretos causados por desastres.
A ferramenta também busca ampliar a capacidade dos municípios de antecipar riscos, permitindo que decisões sejam tomadas com base em evidências e indicadores atualizados.
Inteligência territorial para reduzir riscos
Um dos diferenciais da plataforma é o uso da inteligência territorial. Em vez de analisar apenas os municípios diretamente atingidos por um desastre, o sistema considera os efeitos em regiões vizinhas, como interrupções de estradas, impactos na logística, abastecimento de hospitais e funcionamento de serviços essenciais.
Essa abordagem permite compreender como um evento extremo pode afetar toda uma rede de cidades interligadas, favorecendo um planejamento mais eficiente das ações de resposta.
Monitoramento de fenômenos climáticos
A plataforma também acompanha fenômenos que podem aumentar o risco de desastres naturais, entre eles o El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Esse monitoramento ajuda gestores a identificar cenários de maior probabilidade para ocorrência de secas, enchentes e outros eventos climáticos extremos, permitindo que medidas preventivas sejam adotadas com maior antecedência.
Capacitação para os municípios
Além da disponibilização de dados, o Singed Lab Desastres prevê ações de capacitação para profissionais que atuam na gestão de riscos e na defesa civil. O objetivo é fortalecer a capacidade técnica dos municípios para interpretar indicadores, utilizar as informações da plataforma e aprimorar seus planos de prevenção e resposta a emergências.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento da gestão de riscos climáticos no país, utilizando informações estatísticas e geográficas para apoiar políticas públicas voltadas à adaptação às mudanças climáticas.
Acesse www.ibge.gov.br/singedlab-desastres e saiba mais.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.