Três novas espécies de plantas são descobertas na Mata Atlântica; duas estão ameaçadas de extinção

Pesquisadores identificaram três espécies inéditas do gênero Pleroma em áreas rochosas do Espírito Santo e de Minas Gerais. Descobertas reforçam a importância da conservação de ambientes com elevada biodiversidade.

Pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) identificaram três novas espécies de plantas na Mata Atlântica, nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. Duas delas já apresentam risco de extinção, segundo a avaliação dos cientistas.

As espécies foram denominadas Pleroma latisepalum, Pleroma leucotrichum e Pleroma squamipilosum. Todas pertencem à família Melastomataceae, que reúne plantas conhecidas por suas flores ornamentais, como as quaresmeiras.

Entre as descobertas, a Pleroma leucotrichum recebeu a classificação de em perigo de extinção. A espécie foi encontrada no complexo rochoso Pedra do Fio/Pedra dos Cabritos, na região de Estrela do Norte, em Castelo, no sul do Espírito Santo.

Já a Pleroma latisepalum, identificada nos municípios mineiros de Itaipé e Novo Cruzeiro, foi classificada como vulnerável à extinção.

A terceira espécie, Pleroma squamipilosum, foi encontrada em Nova Venécia, no Espírito Santo, e em localidades de Minas Gerais. Nesse caso, os pesquisadores ainda não dispõem de informações suficientes para determinar seu grau de ameaça.

Novas espécies foram encontradas em ambientes rochosos

As três plantas foram identificadas em inselbergues, formações rochosas isoladas que se destacam na paisagem. Esses ambientes apresentam condições particulares, como solos rasos, pouca disponibilidade de água e intensa exposição solar.

Apesar das condições ambientais desafiadoras, os inselbergues abrigam uma flora especializada, com espécies adaptadas a características específicas desses ecossistemas. Muitas dessas plantas possuem distribuição geográfica restrita, o que pode aumentar sua vulnerabilidade às alterações ambientais.

Segundo o pesquisador Dayvid Rodrigues Couto, vinculado ao INMA e à Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), as descobertas demonstram que ainda existe uma parcela significativa da biodiversidade desses ambientes que permanece pouco conhecida.

Como os pesquisadores identificaram as novas plantas?

A identificação das três espécies envolveu uma análise detalhada de características botânicas, incluindo flores, folhas e estruturas reprodutivas. Os exemplares também foram comparados com materiais de coleções botânicas e descrições científicas de espécies já conhecidas.

Embora apresentassem semelhanças com outras plantas do mesmo gênero, as três espécies possuíam características próprias que permitiram diferenciá-las.

O pesquisador Fabrício Schmitz Meyer, vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ao Museu Botânico Municipal de Curitiba, explica que a identificação de uma nova espécie exige uma análise conjunta de diferentes características.

A descoberta foi apresentada no artigo científico Three new species of Pleroma (Melastomataceae) from Atlantic Forest inselbergs, southeastern Brazil, publicado na revista científica Phytotaxa.

Descobertas reforçam a importância da conservação da Mata Atlântica

A identificação de novas espécies evidencia a importância das pesquisas científicas para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira.

No caso dos inselbergues, a existência de plantas com distribuição limitada e características ecológicas específicas reforça a necessidade de proteger esses ambientes, que podem abrigar espécies ainda desconhecidas pela ciência.

Além disso, a classificação de duas das novas espécies em categorias de ameaça chama a atenção para a necessidade de medidas de conservação antes que suas populações sofram reduções ainda maiores.

A Mata Atlântica é um dos biomas brasileiros com elevada diversidade biológica e enfrenta pressões relacionadas à perda e à fragmentação de habitats. Conhecer as espécies que compõem esse patrimônio natural é uma etapa fundamental para orientar estratégias de proteção e conservação.

Onde consultar o estudo científico: https://doi.org/10.11646/phytotaxa.778.1.1

Fonte: gov.br