Chamada Águas do São Francisco apoiará projetos de recuperação da vegetação nativa e revitalização de recursos hídricos em 44 municípios da Bahia e de Pernambuco.
Um novo edital vai destinar R$ 20 milhões para projetos de restauração ecológica e revitalização de recursos hídricos na região do Rio São Francisco. A chamada pública Águas do São Francisco abrangerá áreas de influência dos reservatórios das hidrelétricas de Sobradinho e Itaparica, entre Bahia e Pernambuco.
A iniciativa integra o programa Floresta Viva, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Do total disponível, R$ 10 milhões virão do BNDES e outros R$ 10 milhões da Conta do Programa de Revitalização dos Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba (CPR São Francisco e Parnaíba). [1]
Os projetos selecionados deverão trabalhar com áreas de pelo menos 100 hectares para restauração e poderão incluir ações como produção de sementes e mudas de espécies nativas, plantio, monitoramento e manejo adaptativo. [1]
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Edital alcança 44 municípios na Bahia e em Pernambuco
A área de abrangência da chamada reúne 44 municípios: 25 relacionados ao reservatório da Usina Hidrelétrica de Sobradinho e outros 19 ligados ao reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaparica, também denominada Luiz Gonzaga.
Entre os municípios abrangidos estão Juazeiro, Paulo Afonso, Jacobina, Irecê, Campo Formoso, Casa Nova, Xique-Xique e Sobradinho. [1]
O objetivo é financiar ações que combinem recuperação da vegetação nativa e revitalização dos recursos hídricos, incluindo recuperação de áreas degradadas, conservação da biodiversidade e acompanhamento das áreas restauradas.
A participação de comunidades e povos locais também aparece entre os aspectos considerados na seleção dos projetos. [1]
O que poderá ser financiado?
De acordo com as informações divulgadas, os projetos poderão contemplar diferentes etapas da cadeia da restauração ecológica, incluindo:
- produção de sementes e mudas de espécies nativas;
- implantação das ações de restauração;
- plantio;
- manutenção e monitoramento das áreas;
- manejo adaptativo;
- recuperação de áreas degradadas;
- ações voltadas à conservação da biodiversidade e à revitalização dos recursos hídricos.
Os projetos selecionados poderão ter até 48 meses de execução. A implantação das ações de restauração deverá ocorrer nos primeiros 24 meses, enquanto os dois anos seguintes serão destinados à manutenção e ao monitoramento. [1]
De onde vêm os R$ 20 milhões?
Metade dos recursos será aportada pelo BNDES e a outra metade virá da CPR São Francisco e Parnaíba. Os recursos dessa conta estão relacionados aos compromissos estabelecidos no processo de desestatização da Eletrobras. A Lei nº 14.182/2021 determinou repasses anuais, durante dez anos, para programas de recuperação de recursos hídricos.
Para as bacias dos rios São Francisco e Parnaíba, os repasses previstos somam R$ 3,5 bilhões ao longo do período. [1]
A aplicação desses recursos é definida pelo Comitê Gestor da CPR São Francisco e Parnaíba, presidido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
Restauração também busca proteger a água
A chamada aproxima duas agendas que estão cada vez mais conectadas: restauração de ecossistemas e segurança hídrica.
O reservatório de Itaparica, localizado entre Bahia e Pernambuco, possui capacidade aproximada de 11 bilhões de metros cúbicos de água e está associado a atividades como geração de energia, irrigação e pesca. Já Sobradinho tem papel relevante tanto na geração de eletricidade quanto na regularização dos recursos hídricos da região. [1]
Nesse contexto, recuperar a vegetação e áreas degradadas no entorno dos reservatórios amplia o foco do investimento para além do plantio de árvores, incorporando a proteção dos recursos hídricos e da biodiversidade.
Quem fará a seleção dos projetos?
O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), parceiro gestor do Floresta Viva, ficará responsável pela condução da chamada pública e pelo acompanhamento dos projetos.
As propostas passarão inicialmente por uma análise de habilitação. Posteriormente, os projetos habilitados serão avaliados por uma comissão técnica com especialistas indicados pelo BNDES, pela AXIA Energia e pelo Funbio. [1]
Até a publicação das informações disponíveis em 1º de outubro de 2026, o anúncio oficial consultado pelo Portal do ESG não apresentava o período para submissão das propostas nem detalhava quais tipos de organizações estarão habilitados a concorrer. Esses pontos deverão ser observados na publicação da chamada pública e de seus documentos. [1]
Floresta Viva já mobiliza centenas de milhões para restauração
Criado pelo BNDES, o Floresta Viva combina recursos não reembolsáveis do banco com aportes de instituições públicas e privadas para apoiar projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais.
Segundo os dados divulgados pelo governo federal, a iniciativa já selecionou 84 projetos, com potencial de restaurar aproximadamente 11,2 mil hectares em diferentes biomas brasileiros, além de manguezais e restingas. Os contratos com parceiros somam mais de R$ 223 milhões em doações e, considerando a contrapartida, chegam a R$ 446 milhões em aportes para restauração. [1]
A nova chamada para o São Francisco acrescenta a esse movimento uma frente diretamente associada à recuperação da vegetação e à proteção da água em uma das principais bacias hidrográficas brasileiras.
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Referência
[1] Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Edital prevê R$ 20 milhões para restauração ecológica no Rio São Francisco. Publicado em 1º de outubro de 2026.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.