Operações somam 390,5 horas de voo e 337 incêndios extintos desde 10 de outubro; mobilização reúne 13 aeronaves e centenas de brigadistas e militares.
As aeronaves mobilizadas pelo Governo Federal lançaram 1.118.600 litros de água no combate aos incêndios florestais no Amazonas desde 10 de outubro de 2026. As operações somam 390,5 horas de voo e 369 lançamentos de água, segundo dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 20 de outubro.
No mesmo período, as ações federais resultaram na extinção de 337 ocorrências de incêndio no estado. A mobilização envolve aeronaves, brigadistas, militares e equipes de apoio terrestre, com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta, especialmente em regiões de difícil acesso.
Combate aos incêndios no Amazonas mobiliza 13 aeronaves
Atualmente, 13 aeronaves federais estão à disposição das operações de combate ao fogo no Amazonas. A estrutura reúne diferentes tipos de equipamentos, utilizados tanto no lançamento de água quanto no transporte de equipes e materiais.
De acordo com o MMA, a mobilização inclui:
- Seis aviões Air Tractor, utilizados para lançar água sobre as áreas atingidas;
- Cinco helicópteros, empregados no transporte de brigadistas e equipamentos e no apoio ao combate aéreo;
- Dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), também utilizados no lançamento de água.
Os aviões KC-390 operam com o Sistema Modular Aerotransportável de Combate a Incêndios (MAFFS, na sigla em inglês), tecnologia que permite realizar lançamentos de água em aproximadamente sete segundos.
Segundo o ministério, os equipamentos empregados nas operações têm capacidades de lançamento informadas de 12 mil e 19 mil litros, respectivamente.
Mais de 460 brigadistas do Ibama e ICMBio participam das ações
Além dos recursos aéreos, o combate aos incêndios florestais conta com equipes de campo e estruturas de apoio logístico.
A operação reúne 462 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de 54 militares da FAB e 41 integrantes da Força Nacional.
A estrutura também conta com apoio para a contratação de 116 bombeiros do Amazonas.
Para viabilizar o deslocamento das equipes, o transporte de equipamentos e as ações de combate e monitoramento, estão disponíveis 58 veículos terrestres e nove embarcações.
A atuação conjunta busca ampliar o alcance das operações em áreas de difícil acesso, onde o deslocamento por terra pode dificultar a chegada das equipes.
Amazonas registra 85 eventos de fogo ativos em 30 municípios
Apesar dos resultados informados nas operações de combate, o Amazonas ainda enfrenta ocorrências de fogo em diferentes regiões.
Segundo os dados divulgados pelo MMA em 20 de outubro, o estado registrava 85 eventos de fogo ativos em 30 municípios, dos quais 22 estavam em situação de emergência.
Entre 12 e 18 de outubro, o número de focos de calor apresentou redução em relação aos sete dias anteriores. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), citados pelo ministério, apontaram 548 focos no período, 470 a menos do que na semana precedente.
Os municípios com maior número de registros foram:
- Itacoatiara: 59 focos de calor;
- Autazes: 46 focos;
- Boa Vista do Ramos: 39 focos.
É importante distinguir focos de calor de incêndios efetivamente confirmados. Os registros de satélite indicam pontos com temperaturas elevadas e podem incluir diferentes situações de queima. Portanto, não correspondem necessariamente ao número de incêndios ou de áreas queimadas.
Governo Federal anuncia reforço no combate aos incêndios
Em 18 de outubro, o Governo Federal anunciou, em Manaus, novas medidas para intensificar o enfrentamento aos incêndios florestais no Amazonas.
Entre as ações está a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas na capital amazonense, com a finalidade de coordenar as operações militares. Também foi anunciada a previsão de implantação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para reforçar a assistência à população.
As medidas incluem ainda a ampliação do apoio financeiro ao estado e aos municípios e a mobilização de órgãos de segurança para apurar possíveis crimes relacionados aos incêndios florestais.
Uso do fogo é proibido durante a emergência no Amazonas
O uso do fogo na vegetação pode provocar a propagação de incêndios, a perda de biodiversidade, a degradação do solo, a poluição atmosférica e danos à saúde humana. Durante períodos de estiagem, as condições ambientais podem favorecer a disseminação das chamas.
O artigo 38 da Lei nº 12.651/2012, conhecida como Código Florestal, estabelece a proibição do uso do fogo na vegetação, ressalvadas as hipóteses previstas na legislação. Já a Lei nº 14.944/2024 instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, estabelecendo regras para o uso planejado e autorizado do fogo.
No Amazonas, durante a vigência do decreto estadual de emergência mencionado pelo MMA, o uso do fogo está proibido para qualquer finalidade, segundo a comunicação oficial do ministério. O descumprimento pode resultar na responsabilização dos infratores.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.