MMA e Fiocruz disponibilizam dados da qualidade do ar na Amazônia em tempo real

O monitoramento da qualidade do ar na Amazônia ganhou reforço com cinco estações instaladas pelo projeto FioAres. Em Manaus, dados recentes registraram concentração de material particulado fino muito acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), evidenciando os riscos da poluição causada pela fumaça das queimadas.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ampliaram o monitoramento da qualidade do ar na Amazônia por meio do projeto FioAres, iniciativa que disponibiliza dados sobre a concentração de poluentes atmosféricos e contribui para a proteção da saúde da população.

Com investimento federal de R$ 1,87 milhão, o projeto implantou cinco estações de monitoramento em Manaus (AM), Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Belém (PA) e Santarém (PA). A iniciativa busca fortalecer o acompanhamento da poluição atmosférica na Região Norte, especialmente durante períodos de queimadas e incêndios florestais.

Em Manaus, os dados são disponibilizados à população por meio do MonitorAr, plataforma nacional do MMA que reúne informações sobre a qualidade do ar. A ferramenta permite acompanhar os indicadores registrados e consultar orientações relacionadas à proteção da saúde.

Qualidade do ar em Manaus supera recomendação da OMS

Os dados registrados em Manaus demonstram a importância do monitoramento contínuo da qualidade do ar na Amazônia. Segundo boletim da Fiocruz Amazônia, em 8 de outubro de 2026, a concentração média diária de material particulado fino (MP₂,₅) atingiu 99 microgramas por metro cúbico (µg/m³).

No mesmo dia, o pico horário chegou a aproximadamente 235 µg/m³, às 23h. A concentração média diária foi 6,6 vezes superior ao valor-guia de 15 µg/m³ recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para exposição média de 24 horas.

O cenário também foi preocupante na análise semanal. Entre 2 e 8 de outubro, a média das concentrações diárias de MP₂,₅ foi de 34 µg/m³, enquanto cinco dos sete dias apresentaram médias superiores ao valor recomendado pela OMS.

Os números reforçam a necessidade de ampliar a capacidade de monitoramento atmosférico e garantir que informações atualizadas estejam acessíveis à população, principalmente durante episódios de fumaça intensa.

O que é MP₂,₅ e quais são os riscos para a saúde?

O material particulado fino, conhecido como MP₂,₅, é formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, elas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas a efeitos adversos à saúde.

Na Amazônia, uma das principais fontes desse poluente é a fumaça produzida por queimadas e incêndios florestais. Quando há aumento da concentração dessas partículas na atmosfera, a exposição pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares.

Entre os grupos que merecem atenção especial estão:

Durante episódios de poluição elevada, é importante acompanhar os boletins oficiais de qualidade do ar e seguir as orientações das autoridades de saúde. A redução da exposição à fumaça, quando possível, é uma das medidas preventivas recomendadas.

Como consultar a qualidade do ar em tempo real?

Os moradores de Manaus podem acompanhar os dados da estação de monitoramento por meio do MonitorAr, plataforma nacional do Ministério do Meio Ambiente.

A ferramenta reúne informações sobre as estações de monitoramento da qualidade do ar e permite consultar os indicadores disponíveis para acompanhar as condições atmosféricas.

Consulte a qualidade do ar em Manaus: acesse o MonitorAr.

A Fiocruz Amazônia também publica informes diários e boletins semanais com análises das concentrações de material particulado e recomendações de saúde para a população.

Acesse os boletins da Fiocruz Amazônia: consulte os informes de qualidade do ar.

O acompanhamento dessas informações pode ajudar a população a reconhecer períodos críticos de poluição e a adotar medidas preventivas. Os indicadores devem ser interpretados conforme o período de medição, a localização da estação e as orientações das autoridades sanitárias.

Projeto FioAres fortalece o monitoramento ambiental na Amazônia

O projeto FioAres, desenvolvido pela Fiocruz com apoio do MMA, integra monitoramento ambiental, produção de conhecimento científico e vigilância em saúde. A iniciativa busca ampliar a disponibilidade de informações sobre a poluição atmosférica em uma região historicamente marcada pela cobertura limitada de estações de referência.

As cinco estações instaladas monitoram continuamente as concentrações de MP₂,₅, um indicador importante para avaliar a poluição associada à fumaça de queimadas e incêndios florestais.

A ampliação dessa infraestrutura permite produzir informações que podem apoiar pesquisas científicas, orientar ações de vigilância em saúde e contribuir para o planejamento de políticas públicas de prevenção dos impactos da poluição do ar.

Além das estações já implantadas, o projeto prevê a aquisição de uma unidade adicional para Macapá (AP). A iniciativa envolve parceria com o Centro de Clima e Saúde de Rondônia da Fiocruz e o Ministério da Saúde, com o objetivo de expandir a cobertura do monitoramento na Região Norte.

Por que monitorar a qualidade do ar é importante para a Amazônia?

A recorrência de queimadas e incêndios florestais torna o monitoramento da qualidade do ar uma questão relevante para a saúde pública na Amazônia. A fumaça pode atingir áreas urbanas e comunidades distantes dos focos de incêndio, comprometendo as condições atmosféricas e aumentando a exposição da população aos poluentes.

Nesse contexto, a disponibilidade de dados em tempo real e de boletins periódicos contribui para identificar episódios críticos, melhorar a comunicação de riscos e fortalecer a integração entre as áreas ambiental e de saúde.

A parceria entre MMA e Fiocruz representa um avanço na infraestrutura de monitoramento da Região Norte. Ao ampliar o acesso a informações científicas, o projeto FioAres contribui para tornar os dados ambientais mais acessíveis e apoiar medidas de prevenção dos impactos da poluição atmosférica.

Acompanhar a qualidade do ar na Amazônia é fundamental para compreender os efeitos das queimadas sobre a saúde pública e fortalecer as estratégias de prevenção em uma das regiões mais vulneráveis aos impactos da fumaça de incêndios florestais.