Convenção de Ramsar recebe inscrições até 15 de dezembro de 2026 para reconhecer mulheres, jovens mulheres e mulheres indígenas que contribuem para a conservação, restauração e uso sustentável de áreas úmidas.
Mulheres que atuam na conservação da biodiversidade e na proteção de áreas úmidas podem se candidatar à iniciativa internacional “Mulheres Artífices da Mudança nos Ecossistemas Úmidos”, promovida pela Convenção de Ramsar. As inscrições estão abertas até 15 de dezembro de 2026 e buscam reconhecer a contribuição de mulheres, jovens mulheres e mulheres indígenas para a conservação, a restauração e o uso sustentável desses ecossistemas.
O período de candidaturas começou em 8 de setembro. A iniciativa também valoriza ações que fortalecem as comunidades que dependem das áreas úmidas para sua subsistência e bem-estar.
As informações sobre os critérios de participação e o processo de candidatura estão disponíveis no site oficial da Convenção de Ramsar.
Como se candidatar à iniciativa da Convenção de Ramsar
As interessadas podem consultar as orientações e os detalhes da chamada diretamente na página oficial da iniciativa. O prazo para envio das candidaturas termina em 15 de dezembro de 2026.
Acesse as informações e os procedimentos de inscrição: https://www.ramsar.org/es/news/convocatoria-de-candidaturas-mujeres-artifices-del-cambio-en-el-ambito-de-los-humedales
Por que as áreas úmidas são importantes para o meio ambiente?
As áreas úmidas abrangem ecossistemas como manguezais, pântanos, brejos, várzeas e lagos, além de outros ambientes naturais ou artificiais com presença permanente ou temporária de água.
Esses ecossistemas desempenham funções importantes para o equilíbrio ambiental. Entre suas contribuições estão a conservação da biodiversidade, a regulação dos recursos hídricos, o armazenamento de carbono e a manutenção dos meios de vida de comunidades locais.
A conservação desses ambientes também está relacionada à adaptação às mudanças climáticas e à proteção de espécies que dependem de habitats aquáticos e alagados.
Nesse contexto, a iniciativa da Convenção de Ramsar busca dar visibilidade à atuação das mulheres na proteção e recuperação desses ecossistemas, reconhecendo sua participação na conservação da natureza e no uso sustentável dos recursos naturais.
Convenção de Ramsar também recebe candidaturas para reconhecer cidades
Além da iniciativa voltada às mulheres, a Convenção de Ramsar mantém um programa de acreditação para reconhecer municípios comprometidos com a conservação e o uso sustentável das áreas úmidas.
A Acreditação de Cidades de Áreas Úmidas – Cidades Azuis busca valorizar cidades que adotam medidas para proteger esses ecossistemas e incorporar sua conservação ao planejamento urbano e às políticas de desenvolvimento sustentável.
Para participar, os municípios devem atender aos critérios estabelecidos no guia de acreditação e apresentar a documentação exigida em inglês, francês ou espanhol.
De acordo com as informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), as candidaturas municipais devem ser encaminhadas ao endereço eletrônico cnzu@mma.gov.br até 16 de novembro de 2026.
O processo contempla cidades e outros tipos de assentamentos humanos que atendam às definições adotadas pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e possuam sistema próprio de governança.
Mais informações estão disponíveis na página do MMA: https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias-defeso-eleitoral/municipios-podem-se-candidatar-a-acreditacao-de-cidade-de-zonas-umidas-da-convencao-de-ramsar
O que é a Convenção de Ramsar?
A Convenção sobre Zonas Úmidas, conhecida como Convenção de Ramsar, é um tratado internacional adotado em 1971, na cidade de Ramsar, no Irã. Seu objetivo é promover a conservação e o uso racional das áreas úmidas por meio da cooperação internacional.
Segundo os dados apresentados pelo MMA, o tratado reúne 172 países e reconhece 2.544 sítios, que abrangem aproximadamente 257 milhões de hectares em todo o mundo.
No Brasil, são 27 áreas úmidas reconhecidas pela Convenção, que totalizam mais de 26 milhões de hectares. Entre elas está a Bacia do Rio Negro, no Amazonas, com cerca de 12 milhões de hectares.
O Brasil também participa de iniciativas regionais vinculadas ao tratado, incluindo ações relacionadas à Amazônia, aos manguezais e à Bacia do Prata.
O reconhecimento internacional desses ecossistemas reforça a importância de políticas de conservação, restauração e uso sustentável, assim como da participação de comunidades e grupos que contribuem diretamente para sua proteção.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.