Eu comecei a pensar nisso quando percebi uma coisa curiosa: algumas pessoas que conheço em Macaé ficam surpresas quando descobrem que o Parque Municipal Atalaia existe.
E não porque o parque não seja conhecido ou divulgado. Ele faz parte da história da cidade, tem uma enorme importância ambiental e é um espaço que muita gente já conhece.
Mas essa situação me fez pensar em algo maior.
Vivemos em um mundo em que aquilo que chega até nós é cada vez mais influenciado pelos nossos próprios interesses. Vemos mais daquilo que costumamos consumir, seguimos pessoas que pensam como nós e, aos poucos, nosso mundo digital pode ficar muito parecido com o mundo que já conhecemos.
E, nesse processo, coisas novas podem deixar de aparecer.
Não quero, de forma alguma, reclamar do algoritmo. Pelo contrário. Foi também por meio dele que esta página encontrou pessoas incríveis, interessadas em meio ambiente, clima, sustentabilidade e em tantos assuntos que talvez nunca tivessem chegado até mim de outra forma.
Mas existe uma provocação que acho interessante fazer:
Quantas coisas importantes existem na nossa própria cidade que ainda não fazem parte da nossa vida?
Quantos parques nunca visitamos?
Quantas trilhas nunca fizemos?
Quantos rios atravessamos sem conhecer sua história?
Quantas áreas protegidas existem perto de nós sem que saibamos sequer que são unidades de conservação?
E isso é interessante porque uma unidade de conservação não é apenas um lugar bonito para visitar.
É território protegido. É biodiversidade. É água. É paisagem. É memória. É pesquisa. É educação ambiental. É espaço de convivência e, muitas vezes, uma oportunidade de compreender melhor o lugar onde vivemos.
Conhecer os espaços naturais da nossa cidade também pode ser uma forma de criar vínculo com o lugar onde vivemos.
Às vezes, a próxima descoberta não está do outro lado do mundo.
Pode estar a poucos quilômetros da nossa casa.
Agora quero saber de você:
Você sabe quantas unidades de conservação existem na sua cidade? E conhece alguma delas?
Conta aqui nos comentários. Talvez a gente descubra juntos lugares que estavam muito mais perto do que imaginávamos.

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.