À medida que se aproxima a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), marcada para outubro de 2026 em Yerevan, na Armênia, governos, empresas, instituições financeiras e organizações da sociedade civil intensificam iniciativas para acelerar a implementação do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal e conter a perda de biodiversidade em escala mundial.
Os preparativos para a conferência entram agora em uma etapa decisiva com a realização, em Nairóbi, no Quênia, da 28ª reunião do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico (SBSTTA-28), entre 27 de julho e 1º de agosto, e da 7ª reunião do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI-7), entre 4 e 12 de agosto. Os encontros servirão para consolidar recomendações técnicas e políticas que deverão orientar as negociações da COP17.
Declaração de Kumamoto reforça compromisso internacional
Outro marco importante ocorreu durante a Segunda Cúpula Global Nature Positive, realizada na cidade de Kumamoto, no Japão. O evento reuniu 2.725 participantes de governos, empresas, setor financeiro, universidades, organizações internacionais e sociedade civil, culminando na adoção da Declaração de Kumamoto.
O documento foi assinado por 85 organizações, sendo aproximadamente metade do setor privado, e reforça o compromisso de acelerar ações para interromper e reverter a perda de biodiversidade.
Entre as principais propostas da declaração estão:
- ampliar a implementação do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal;
- adotar metodologias científicas padronizadas para mensurar impactos sobre a natureza;
- harmonizar relatórios corporativos relacionados à biodiversidade;
- incentivar que empresas estabeleçam metas baseadas em ciência;
- ampliar o financiamento voltado à conservação e restauração dos ecossistemas.
A declaração também destaca que uma economia positiva para a natureza (nature-positive economy) será essencial para alcançar um desenvolvimento econômico sustentável.
Aliança Global da Biodiversidade amplia adesão
Outro avanço relevante é o crescimento da Global Biodiversity Alliance (GBA), lançada oficialmente em 2025 durante a Cúpula realizada em Georgetown, na Guiana.
Desde então, a aliança passou a reunir quase 130 membros, incluindo governos nacionais, organizações internacionais e as Nações Unidas. Recentemente, Trinidad e Tobago tornou-se o mais novo integrante da iniciativa.
A GBA funciona como uma plataforma voluntária de cooperação internacional para acelerar a implementação das metas globais de biodiversidade por meio da troca de conhecimento, desenvolvimento de soluções inovadoras e mobilização de recursos financeiros.
Cinco pilares para proteger a biodiversidade
O roteiro estratégico da Global Biodiversity Alliance está estruturado em cinco grandes prioridades:
- proteger 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030 (meta conhecida como 30×30);
- integrar a biodiversidade ao planejamento estratégico de governos e empresas;
- ampliar mecanismos inovadores de financiamento, como créditos de biodiversidade, títulos verdes e operações de troca de dívida por conservação ambiental (debt-for-nature swaps);
- fortalecer a participação e o financiamento de povos indígenas e comunidades locais;
- desenvolver sistemas robustos de monitoramento, transparência e indicadores globais, incluindo a criação do Gross Biodiversity Power Index, voltado à mensuração do desempenho dos países na conservação da biodiversidade.
Expectativas para a COP17
A expectativa é que as discussões realizadas nas próximas semanas em Nairóbi sirvam de base para as negociações que ocorrerão durante a COP17.
Os países deverão discutir mecanismos para acelerar a implementação das metas do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, ampliar o financiamento internacional e fortalecer a participação do setor privado na proteção dos ecossistemas.
Especialistas avaliam que a conferência será um momento decisivo para transformar os compromissos assumidos em 2022 em ações concretas, especialmente diante do avanço da degradação ambiental e da crescente dependência da economia global dos serviços ecossistêmicos.
Fonte: genevaenvironmentnetwork.org

Fernanda de Carvalho é Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Mestre em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também estudou na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo de Vida Selvagem. Dedicou parte da sua carreira a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas à Celulose e Papel. Trabalhou com Restauração Florestal e Formação Ambiental na Suzano S/A e como Consultora de Comunicação da Ocyan S/A. É conhecida no setor florestal pelos artigos publicados nos blogs Mata Nativa e Manda lá Ciência.